ZUMBIS E ESPÍRITOS NOS SERTÕES DO LESTE: AS TERRAS OUTRAS TIKM?’?N EM MEIO AO TERRITÓRIO DA AGROPECUÁRI
Resumo
Resumo
Ao longo do século XX houve por parte das políticas indigenistas nas terras tikm?,?n um projeto explícito de morte tanto da terra quanto dos corpos tikm?,?n. Tal dinâmica se insere por meio de um projeto de implementação da agropecuária extensiva na região bem como processos de assimilação promovidas tanto pelo Serviço de Proteção aos Índios quanto pela FUNAI ao longo do século XX. Esse processo de morte da terra tikm?,?n é encarado pelo pajé Tomé Maxakali como uma forma de fazer a terra tikm?,?n se parecer com as terras dos brancos, o que nos permite falar de um embranquecimento da terra tikm?,?n. Ou seja, existe aí espaço para o Estado Brasileiro imprimir o seu direito de vida e morte sobre os corpos e as terras tikm?,?n atualizando uma necropolítica voltada tanto para o território quanto para a pessoa tikm?,?n. Argumento que apesar do confinamento existencial incentivado pelas políticas indigenistas, pessoas tikm?,?n encontram formas de furar esse cerco por meio da relação com os mortos e os yãm?yxop – coletivo de espíritos. Percebe-se que através dos mortos é possível pensar em uma sobreposição entre uma territorialidade embranquecida e uma “terra outra” (hãm nõy) destino post mortem das pessoas, morada dos yãm?yxop. Ao longo do artigo, observo que a saudade dos mortos para com os vivos e vice-versa possibilita o movimento de uma “terra outra” nos corpos tikm?,?n. Essa terra é atualizada por meio das festas realizadas com os yãm?yxop nas aldeias tikm?,?n. Assim, temos de um lado, a multiplicidade dos cantos que emanam dos corpos dos yãm?yxop e que dão a ver a possibilidade de existência de uma outra terra, e de outro, temos uma terra transformada em pasto promovida pelos não indígenas. Com isso, o artigo demonstra, existir uma cartografia cantada tikm?,?n que memoria lugares onde os antepassados tikm?,?n viveram. Diante disso, procuro demonstrar os caminhos para uma outra política de vida e morte tikm?,?n que em muito difere da necropolítica estatal muito próxima da figura de um zumbi canibal conhecido como ?nmõxa. Encarado como uma das possibilidades de destino post-mortem tikm?,?n, é das suas cinzas que surgiram os brancos, ?nmõxa devora seus parentes consanguíneos sem qualquer tipo de diálogo e diplomacia.
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PDFDOI: http://dx.doi.org/10.18542/amazonica.v17i1.13116
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