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COMUNIDADE DE REPARAÇÃO E VIOLÊNCIA DE ESTADO NA AMAZÔNIA LEGAL: XAMBIOÁ-TO E SÃO GERALDO DO ARAGUAIA-PA

Thelma Pontes Borges, Marcela Vecchione Gonçalves

Resumo

Objetivamos demonstrar que as cidades de Xambioá-TO e São Geraldo do Araguaia-PA se configuram como Comunidade de Reparação por terem sofrido, em determinado período de sua história (durante e após a ditadura civil-militar brasileira, aproximadamente entre 1968-1984), ações estatais extremamente violentas que se conformaram como um evento extraordinário e marcaram as subjetividades das pessoas que ali vivem. Considerando os debates de Veena Das, que estabelecem uma discussão acerca da possibilidade de se entender o Estado a partir da margem, bem como de se verificar a materialização do sofrimento na vida cotidiana das pessoas, buscamos nas histórias individuais de cinco atores sociais do período da Guerrilha do Araguaia e da Revolta dos Perdidos, sob a forma de entrevistas livres avaliadas pela ótica da análise do conteúdo, configurar o objetivo proposto. Chegamos a três níveis da violência estatal, que se dividem em violência física e psicológica, rumor e desalento, além de três possibilidades de elaboração emocional, as quais vão do nível mais arcaico, indo até o mais simbolizável: zona de silêncio/conhecimento venenoso; reparação pelo cotidiano, pela fé e pelo segredo; e elaboração psíquica. As análises das entrevistas permitem visualizar nas histórias que o evento extraordinário marcou suas existências, suas dores continuam expostas nas formas de viverem e narrarem a própria vida, configurando-se como um sofrimento social, que permite constatar uma Comunidade de Reparação.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/amazonica.v17i1.14238



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