POVOS VEREDEIROS E TERRITÓRIOS EM DEVIR: QUANDO O TERRITÓRIO TRADICIONAL SE ENCONTRA EM RUÍNAS
Resumo
O debate sobre povos e comunidades tradicionais (PCTs) iniciado na região Amazônica, em decorrência de intensas mobilizações ao longo das décadas de 80 e 90, se espraiou para diferentes regiões do país criando uma nova forma de organização social. Ao longo das décadas a literatura especializada converteu esses grupos como agentes privilegiados da conservação ambiental. No entanto, diferentemente dos contextos amazônicos, os PCTs que habitam as áreas de Cerrado estão submetidos a conflitos ambientais propagados por frentes desenvolvimentistas mais antigas, como o caso das comunidades veredeiras do Norte de Minas Gerais. Localizadas nos grandes planaltos sanfranciscanos, desde ao menos o século XIX, os veredeiros possuem como principal referência identitária a relação ecológica construída a partir da dinâmica das águas, oriundas das veredas, ecossistemas fundamentais para a rede hídrica regional. Entretanto, entre as décadas de 1970 e 1980, com o advento da Revolução Verde, o ambiente veredeiro foi fortemente perturbado levando a morte das principais veredas locais, o que denominei como evento-catástrofe. Desse modo, tenho como objetivo refletir sobre a dinâmica ecológica estabelecida entre as comunidades veredeiras, a partir da relação com os diferentes ecossistemas que formam seus ambientes/territórios e os processos de perturbação de seus mundos que os levaram à criação de alianças que projetam um território em devir.
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PDFDOI: http://dx.doi.org/10.18542/amazonica.v17i1.16811
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