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A circulação das ka’aguy heté reguá no litoral do Rio Grande do Sul: as criações naturais originárias de uso comum e a complementariedade entre aldeias Mbya Guarani

Rafaela Biehl Printes, Gabriela Peixoto Coelho-de-Souza

Resumo

O modo de ser e viver Guarani está diretamente interligado ao manejo das espécies vegetais, em especial às sementes, e espécies animais, cujos usos revelam outras lógicas de interagir e usufruir desses recursos, ao visualizarem, por meio de múltiplas dimensões, a co-existência entre  todos os seres. Esta cosmo-ecologia considera que as ka’aguy heté reguá (criações naturais originárias) de uso comum são uma dádiva divina, acarretando em regras culturais de uso que permitem a manutenção das espécies e o acesso a todos os Guarani. Neste contexto, o estudo, por meio de pesquisa etnográfica, analisou as ka’aguy heté reguá, suas condições de acesso, usos e fluxos em uma porção do Yvy rupá (território originário) situada no litoral do Rio Grande do Sul. As criações naturais que se destacam nesta porção do Yvy Rupá são nove, além das sementes. As tekoá estão situadas em uma região de transição entre o Planalto, onde ocorre o manejo da ka’a (erva-mate), o kuri’y (pinhão), tregüem (xaxim), takua’i, (taquara-mansa), ygary (cedro), e a Planície Costeira do Rio Grande do Sul, onde ocorre o kapi’i reimbé (capim santa-fé), pindó (jerivá), jata’i (butiá), passando pelas encostas, onde é manejado o kurupika’y (pau-leiteiro), jejy (juçara) e mantida as ma’ety (plantações naturais – sementes originárias). Cada tekoá compõe um pequeno fragmento desta porção do Yvy Rupá, resguardando alguma das ka’aguy heté reguá, acessada por todos, mobilizando o constante movimento. Dessa forma, as trocas mútuas e contínuas destas criações naturais tecem laços fortes de reciprocidade interaldeã, abrangendo dimensões permeadas de sentidos espirituais e cosmo-ecológicos.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/amazonica.v13i1.7371



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