REVISTA APOENA - Periódico dos Discentes de Filosofia da UFPA

Dos Mecanismos de Controle Biopolítico à Intercultura como Alternativa

Lino Vahire, Rosa Mechiço

Resumo

O presente artigo objectiva retratar os mecanismos de controle biopolítico e
as suas repercussões no mundo, onde o suporte científico, social e político, procura-se acompanhar pelo sistema global de redes. Colocamos Foucault na linha da frente pela originalidade do seu pensamento político contemporâneo, analisando o panóptico e o disciplinamento, enquanto conceitos orientadores na reflexão sobre os mecanismos de poder. A partir da sua Biopolítica, entramos no quadro dos teóricos que na linha das apropriações empenharam-se em encontrar alternativas desta, tais são os casos de Ngoenha e Betancourt, teóricos apologistas da interculturalidade. Sustentando-se na tese do diálogo intercultural, Ngoenha socorre-se com Betancourt ao debruçar-se sobre o diálogo intercultural que deve basear-se numa ética de acolhimento aos outros seres humanos. A intercultura abre espaço ao diálogo permanente com outras racionalidades e com diversas tradições de pensamento. Para Ngoenha, a questão não é combater a globalização em si, senão encontrar alternativas à globalização de cariz neoliberal; mais do que perscrutar diferenças entre culturas, procurar pontos de vista diferentes para problemas que podem ser equivalentes para todos. A intercultura como alternativa procura-se nutrir no diálogo entre culturas, sem que cada uma tenha pretensão de ser a única universalidade possível. Ela aparece como caminho de pensamento e de vida para um duplo movimento: querer entender e ser entendido; tratar bem, conhecer e aumentar (e/ou ampliar) a auto-compreensão do outro.


Texto completo:

PDF

Referências


CASTIANO, José Paulino. A “Liberdade” do Neoliberalismo: leituras críticas. Maputo, Editora Educar, 2018.

FOUCAULT, Michel. Em Defesa da Sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade I. A vontade de Saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988.

FOUCAULT, Michel. Nascimento da Biopolítica: curso dado no Collège de France (1978-1979), Trad. Eduardo Brandão, São Paulo, Martins Fontes, 2008.

FOUCAULT, Michel. Resumo dos Cursos do Collège de France (1970-1982); Trad. Andréa Daher; Consultoria, Roberto Machado, Rio de Janeiro, Zahar, 1997.

FOUCAULT, Michel. Segurança, Território, população. Curso no Collège de France (1978-1979). São Paulo, Martins Fontes, 2008.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir, Petrópolis, Vozes, 1975.

MORIN, E., et al. Educar na Era Planetária: o pensamento complexo como Método de Aprendizagem no erro e na incerteza humana, Trad. Sandra Trabusso Valenzuela, São Paulo, Cortez Editora, 2003.

NGOENHA, Severino. Elias. Os tempos da filosofia: filosofia e democracia moçambicana. Maputo: Imprensa Universitária, 2004.

_______________________. Intercultura, alternativa à governação biopolítica? ISOED, Maputo, 2013. RESENHAS: Cadernos de Pesquisa, v.46, n.161, Julho/Setembro de 2016. Revista de Estudos Culturais e de Contemporaneidade - No. 9 – Maio/Junho de 2013.

SANTOS, Boaventura de Sousa (org.). Epistemologias do Sul, São Paulo, Cortez Editora, 2010.

VASSOA, A. Vaz Comunicação Social e Relações Interculturais: Desafios e Oportunidades da África Contemporânea, Maputo, Sociedade Editorial Ndjira, Lda., 2010.




DOI: http://dx.doi.org/10.18542/apoena.v4i8.18116

Apontamentos

  • Não há apontamentos.