Deleuze e a Reversão do Semelhante
Resumo
A partir das análises propostas por Gilles Deleuze, tanto em Lógica do Sentido
(1969) como em Diferença e Repetição (1968), pode-se perceber que a produção filosófica herdou um determinado tipo de pensamento que compôs, em maior ou menor grau, boa parte da produção filosófica ocidental. Tal legado, deixado por Platão, ancorou um modelo representacional que busca sempre a distinção entre o verdadeiro e o falso. O problema desta questão se dá no fato de que, a partir da dualidade dos mundos, é exigido ao plano sensível fazer apelo a uma instância superior que serve de fundamento para determinar a qualidade dos fenômenos. Existe um peso estético-moral posto no mundo sensível determinado por uma balança normativa, cujos critérios residem no mundo das formas perfeitas. A reversão do platonismo em Deleuze tem como intuito se afastar de qualquer modelo representacional que estabelece a primazia do original sobre a cópia, residindo no simulacro a expressão de um modelo que se abre à diferença em proveito de negar uma diferença fechada nas categorias do mesmo. Desse modo, estar desvinculado a modelos interpretativos do Igual ou Semelhante é o mesmo que propor uma subjetividade apartada de um regime de signos que a aprisiona em uma identidade rígida e
fixa, utilizados como modelos de dominação; sempre uma dominação de algo sobre outro, observado em todas as formas de sociedades. Reverter tal imagem de pensamento é assumir uma nova postura diante da realidade concreta, tendo em vista que toda renúncia ontológica implica também numa renúncia política para assumir uma prática política não mais mediada por valores abstratos, mas imbricada nas demandas materiais.
Referências
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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/apoena.v4i8.18119
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