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A LOCALIZAÇÃO ESPACIAL NA LÓGICA DIALÉTICA: UMA ANÁLISE DA PRODUÇÃO DO AÇO BRASIL

Juan Dias Barros, Maurílio de Abreu Monteiro, Adejard Gaia Cruz

Resumo

O artigo vincula-se a ao suposto de que a localização das atividades econômicas não pode ser explicada apenas por pressupostos da lógica formal, baseados na escolha racional, recorrendo ao escopo teórico da lógica histórica e dialética para compreender o próprio espaço e sua relação com a dinâmica econômica e social de acumulação do capital, tendo como objeto de análise empírica a produção siderúrgica no Brasil. Para aproximar a manifestação do fenômeno e visualizar sua distribuição no espaço, recorreu-se a produção do Índice de Concentração Normalizado (ICn) para todos os municípios brasileiros no ano de 2010, utilizando dados sobre o número de trabalhadores empregados nas 13 classes de atividades econômicas que compõe a cadeia produtiva de valorização do aço. Os resultados nos permitiram identificar as estruturas espaciais que são fundamentais para os processos de criação e circulação do valor, inseridos no processo de acumulação do capital. No entanto, além dos determinantes racionais da localização (proximidade dos mercados, custos de transporte, oferta de insumos, disponibilidade de estruturas espaciais de circulação) a análise verificou que o padrão de localização das usinas siderúrgicas no Brasil é explicado fundamentalmente por interesses estatais, capitaneado pelas necessidades de acumulação do capital, dentro de contextos históricos, econômicos e sociais específicos.


Palavras-chave

acumulação do capital; estruturas espaciais; anulação do espaço; custos de circulação; lógica formal


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/cepec.v7i1-6.7075

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