Complexitas – Revista de Filosofia Temática

A NATUREZA DO MAL NA PERSPECTIVA DE AGOSTINHO DE HIPONA

Erike Santos Aristides

Resumo

A questão do mal em Agostinho surge do desafio de conciliá-lo com a existência de um Deus bom e onipotente. Para evitar um dualismo incompatível com o cristianismo, Agostinho adota a concepção neoplatônica do mal como privação do bem, e não como uma substância ou força autônoma. O mal, portanto, não é criado por Deus, mas resulta do uso inadequado do livre-arbítrio pelas criaturas. Essa perspectiva permite a Agostinho preservar a bondade divina e afirmar que toda natureza, enquanto criação de Deus, é essencialmente boa, ainda que passível de corrupção. Além disso, ele distingue entre o mal moral, derivado das escolhas humanas, e o mal como sofrimento, visto como punição justa dentro da ordem providencial. Dessa forma, sua abordagem ao problema do mal refuta o dualismo e fundamenta uma concepção ética e metafísica na qual o mal, em vez de ser um princípio oposto ao bem, manifesta-se como a corrupção da ordem estabelecida por Deus.


Palavras-chave

Agostinho de Hipona; Mal; Livre-Arbítrio; Vontade; Deus


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Artigo

Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/complexitas.v9i1.18638



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