Complexitas – Revista de Filosofia Temática

RELAÇÕES SOCIOAMBIENTAIS E ESTRATÉGIA DE SOBREVIVÊNCIA EM RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA EM SOURE, MARAJÓ

Mailson Lima Nazaré

Resumo

Este trabalho analisa estratégias de sobrevivências desenvolvidas por dois jovens que passaram três (3) dias perdidos em área da reserva extrativista marinha no município de Soure no arquipélago do Marajó (Resex Soure), no ano de 2010. A Resex Soure é uma unidade de conservação na categoria uso sustentável que permite a interação entre seres humanos e o ambiente natural, possui uma extensão de 27.463,58 ha, e foi criada em 2001 pelo Governo Federal pela qual, circulam e sobrevivem diversas comunidades tradicionais como pescadores, extrativistas e de vaqueiros. Destaca-se que o arquipélago do Marajó possui a característica de clima sazonal com períodos de fortes estiagens e de chuvas intensas que deixa a região dos campos completamente alagados, desta forma como prática cultural e de interação social membros de famílias de vaqueiros que vivem na zonal rural de Soure, em períodos das fortes chuvas, deslocam-se cotidianamente pela área costeira litorânea que contém praias, para evitar as dificuldades de se transitar pelos campos alagados, fato este que levou os jovens que saíram da sede do município a se perderem. Assim sendo, em meio a este contexto o estudo orientou-se pela problemática de analisar como se estabeleceram as estratégias e relações socioambientais de sobrevivência dos jovens perdidos ao ambiente natural. Como objetivos propomos identificar os conhecimentos que contribuíram para suas sobrevivências e analisar as relações socioambientais que estabeleceram como estratégias de manutenção no ambiente natural. Como metodologia realizamos etnografia a partir de pesquisa de campo com entrevistas semiestruturadas, utilizamos ainda pesquisa bibliográfica direcionada por uma abordagem qualitativa. Entre os resultados verificamos que os jovens sobreviveram ao se adaptarem e interagirem com as dinâmicas estabelecidas pelo ambiente natural, tais como, a compreensão dos movimentos das marés, coletas frutas para se alimentar, bebendo água em raízes de vegetais, além de usarem as dunas das praias para dormiram e o vento para se protegerem de insetos. Conclui-se que por meio dos saberes socioambientais foi possível construírem estratégias de sobrevivência, o que realça a importância de se refletir a sobre os saberes e conhecimentos tradicionais que circulam entre as comunidades nos campos marajoaras.


Palavras-chave

Marajó. Sobrevivência. Ambiente Natural.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/complexitas.v4i2.8079



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