AMAZÔNIA PARAENSE NA FRONTEIRA EDUCACIONAL: FINANCEIRIZAÇÃO E REDES POLÍTICAS DE MERCADO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES
Resumo
O artigo analisa a formação de professores e o impacto das políticas neoliberais, enfatizando a relação entre educação e demandas do mercado, especialmente do terceiro setor. Historicamente a formação docente evoluiu em três modelos pedagógicos: prático-pedagógico, neotecnicista e pragmático-instrumental. Essas abordagens convergiram para um processo formativo utilitário, direcionado a solucionar demandas capitalistas. Com as reformas educacionais das décadas de 1990, influenciadas por organismos internacionais como a Organisation for Economic Co-operation and Development e Banco Mundial, a educação passou a ser financiada, no intuito de transformar professores em executores passivos de currículos padronizados e engessados. Assim, a atuação de organizações privadas intensificou esse processo de financeirização, especialmente na Amazônia, que moldam currículos e práticas educacionais baseadas em indicadores de desempenho. A Resolução CNE/CP nº 2/2019 reforça a vinculação da formação docente à Base Nacional Comum Curricular, priorizando competências funcionais em detrimento de uma abordagem crítica e emancipadora. Portanto, o trabalho conclui que a subordinação da educação às demandas do mercado deslegitima o papel docente, diminui sua autonomia e promove uma formação baseada na performatividade. E, que a resistência a essas reformas educacionais é fundamental para preservar uma práxis formativa que privilegia a emancipação social, especialmente na Amazônia paraense.
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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/geo.v12i25.17763
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