DESLOCAMENTO E RESISTENCIAS: OS IMPACTOS SOCIOESPACIAIS DA UHE BELO MONTE NA LAGOA DO INDEPENDENTE I, ALTAMIRA-PA
Resumo
A cidade de Altamira, no Pará, passou por intensas transformações devido à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (UHE Belo Monte), impactando diretamente a população local, especialmente os moradores da Lagoa do Independente I. Essa área, marcada por moradias precárias e ausência de infraestrutura, foi alvo de um processo de remoção forçada, dividido em três etapas. Este artigo analisa a terceira fase da deslocação, corrida entre 2022 e 2023, que atingiu as famílias do entorno da lagoa. O objetivo é compreender as condições de vida pós-deslocamento, investigando desafios, adaptação e mudanças nas relações sociais. A pesquisa utiliza revisão bibliográfica, análise documental e entrevistas semiestruturadas com 19 moradores reassentados, seguindo uma abordagem qualiquantitativa. Os resultados indicam que, embora a remoção tenha sido justificada pela impossibilidade técnica de saneamento, a demora no reconhecimento dos atingidos e as indenizações contestadas intensificaram as dificuldades. A morosidade e as resistências ao deslocamento ampliaram as desigualdades sociais, dificultando o acesso a serviços e oportunidades econômicas. O estudo evidencia que os impactos da UHE Belo Monte não são de curto prazo, mas reverberam no espaço geográfico por períodos prolongados, reforçando a necessidade de políticas públicas eficazes e participativas para garantir direitos urbanos e habitacionais.
Palavras-chave: UHE Belo Monte; Habitações; Deslocamento urbano.
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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/geo.v12i25.18191
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Print ISSN: 1980-7759 (impresso)
eISSN: 2358-1778
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