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Avanços recentes na pesquisa sobre línguas indígenas: homenagem a Lucy Seki

Organizadores:

Prof. Dr. Francisco Queixalós (Pesquisador aposentado do Centro Nacional de Pesquisa Científica, França)

Profa. Dra. Marília de Nazaré de Oliveira Ferreira (Universidade Federal do Pará – UFPA)

Profa. Dra. Antônia Alves Pereira (Universidade Federal do Pará – UFPA)

Propomos a publicação de um número temático da revista Moara em homenagem à professora Lucy Seki (1939-2017). Lucy, como era conhecida no meio acadêmico, foi pioneira nas pesquisas sobre as línguas indígenas brasileiras. Professora e pesquisadora, atuou no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL-UNICAMP), e no Programa de Pós-graduação em Letras da UFPA, como professora visitante sênior, contribuindo para a formação de uma geração de Linguistas. É uma das mais importantes representantes da Linguística no Brasil, especialmente da Linguística voltada para as línguas indígenas.

Lucy pesquisou e escreveu em várias temáticas, dentre elas, educação indígena, etnolinguística, léxico, discurso, sociolinguística, fonética e fonologia, morfologia, sintaxe, sendo a morfossintaxe uma das temáticas em que mais atuou. Dessa forma, reunir em um único número as temáticas com que trabalhou figura uma missão quase impossível. Assim, optou-se pelo tema morfologia e sintaxe de línguas indígenas para compor esse número da revista Moara em homenagem a essa grande profissional.

As línguas do mundo contam a história da humanidade através dos tempos, refletindo saberes, crenças e transmitindo experiências de seus usuários. Constituem um importante complexo que permite a transmissão de vivências entre seus usuários para além das fronteiras de tempo e lugar, exprimindo a cultura e o modo de vida de cada povo. As experiências e transformações por que passam seus falantes se refletem ricamente em discursos materializados na linguagem e conhecidos através de estruturas e usos linguísticos.

As línguas da Amazônia adquiriram uma importância singular porque representam, apesar de importantes estudos da época colonial, uma das últimas terras desconhecidas no mundo das línguas. Elas oferecem um vasto campo de experiências destinadas a validar os modelos explicativos das propriedades que caracterizam a linguagem.

Apesar disso, infelizmente, muitas línguas nunca terão sua estrutura descrita satisfatoriamente. No Brasil, existem cerca de 200 línguas. Os estudos realizados em torno delas revelam que desse número são poucas as línguas para as quais se tem uma descrição que atenda as exigências da linguística atual. Pode-se afirmar que foi no século XX, especialmente, a partir de sua segunda metade, que foram feitas a maior parte das descrições mais completas das línguas indígenas brasileiras que se tem na atualidade. Anteriormente a isso, contou-se com trabalhos de grande qualidade, mas também chegaram à atualidade muitas listas de vocabulário, traduções ou adaptações de textos religiosos, análises fonológicas ou morfológicas rudimentares. Mesmo se reconhecendo a grande importância do conhecimento dessas línguas, as sociedades que as falam estão ameaçadas de desaparecimento a curto ou médio prazo, assombrando a existência dessas línguas.

Essas considerações servem para mostrar que, apesar dos avanços no campo das descrições linguísticas durante o século XX, ainda temos um grande desafio pela frente rumo à análise, descrição e teorização dos resultados.

Convidamos autores para submeter contribuições originais e inéditas que reflitam sobre a estrutura e o funcionamento de línguas indígenas, dentro das temáticas morfologia e sintaxe.  São bem-vindos trabalhos que envolvam abordagens tipológicas, assim como funcionais, que apresentem significativa contribuição para as pesquisas da área. Serão avaliadas contribuições em português, inglês e espanhol. Solicitamos aos autores que preparem seus resumos e manuscritos seguindo as diretrizes do periódico, disponíveis no site da revista.