A economia da fome como metáfora do mecanismo de controle, exploração e subjugação em Quarto de despejo: diário de uma favelada
Resumo
No processo de colonização, os sujeitos racializados foram submetidos a violências que os animalizavam e subjugavam, transformando-os em mercadoria e objeto, garantindo seu controle e exploração para a sustentação da máquina capitalista. Na contemporaneidade, as dinâmicas da colonialidade continuam a operar na sociedade, estabelecendo a desumanização do ser como fundamento, de modo que o sujeito racializado é reduzido à condição de “outro”, de “não-ser”, tornando-se objeto de disputa para a manutenção da ordem econômica, ideológica e discursiva vigente (Maldonado-Torres, 2018). Assim, analisamos como, em Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, é mobilizado o conceito de economia da fome como um recurso estético, ético e político para evidenciar a opressão, exploração e controle dos corpos e subjetividades impostos pela lógica do sistema capitalista. Compreendemos que a economia da fome funciona, em sua escrita, como metáfora dos mecanismos de violência que a sociedade e o capitalismo impõem à população negra e pobre.
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PDFDOI: http://dx.doi.org/10.18542/moara.v0i70.19894












