MOARA – Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Letras ISSN: 0104-0944

Humanismo em cena: o projeto abolicionista em Zamor e Mirza, de Olympe de Gouges

Rômulo Titton Dezen

Resumo

Este artigo examina Zamor et Mirza (1789) de Olympe de Gouges como peça fundadora no diálogo entre literatura e direitos humanos, explorando seu duplo caráter de denúncia abolicionista e manifesto feminista. A análise concentra-se em três eixos principais: o uso dos prefácios como espaço de autodefesa e reivindicação intelectual; as estratégias dramatúrgicas que humanizam os personagens escravizados, contrastando com a violência colonial; e, por fim, o papel ambíguo das mulheres brancas como mediadoras de uma justiça ainda limitada pelos códigos de seu tempo. Argumenta-se que a peça, embora marcada pelas contradições do Iluminismo — especialmente na representação da agência negra —, oferece um modelo singular para pensar o teatro como arena política. Ao articular estética e engajamento, Gouges não apenas antecipa debates modernos sobre raça e gênero, mas também desafia os limites do humanismo universalista.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/moara.v0i70.19895