MOARA – Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Letras ISSN: 0104-0944

Euclides da Cunha: a Terra como sujeito

Patrick Pardini

Resumo

Logo no começo de Os sertões, Euclides da Cunha põe em cena “a Terra” como sujeito de uma ação dramática, que será narrada em seguida. Essa figura de estilo, que consiste em conferir à Terra o estatuto de sujeito em uma narração, ao invés de objeto de uma descrição, atravessará toda a obra do escritor. Este estudo se propõe a investigar tal figura na criação literária de Euclides. Após leitura e análise dos textos, optou-se pela fórmula “narração da Terra” para conceituar a referida figura de estilo, com as seguintes características: a narração da Terra se contrapõe à descrição da paisagem e visa transformar pretensos objetos inanimados (os elementos da paisagem brasileira) em sujeitos vivos, o inanimado em animado: uma operação ao mesmo tempo ética, poética e animista; ela cumpre o “consórcio da ciência e da arte” almejado por Euclides, sendo a obra de um “geólogo-poeta” e a expressão de um “animismo científico-poético”.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/moara.v0i69.20076