Entre o conluio e a resistência: ética literária em contextos autoritários
Resumo
Traçamos um panorama das relações entre literatura, autoritarismo e direitos humanos, abordando os problemas inerentes ao esforço de esvaziamento político da literatura e ao viés universalista que a concebe como instrumento de humanização nos contextos autoritários do Brasil (Candido, 1967; 1972). Discutimos, assim, o papel da literatura ora reforçando representações hegemônicas e formas de violência simbólica (Dalcastagnè, 2005; Ginzburg, 2010b), ora provendo terreno para a encenação da experiência traumática individual e coletiva (Figueiredo, 2017). A fim de enfatizar sua dimensão ética, diante da violência de Estado, elucidamos pontos de contato entre É isto um homem?, de Primo Levi (1992), e o romance K. – Relato de uma busca, de Bernardo Kucinski (2016), partindo das implicações da escrita do trauma. Resguardadas as diferenças, esses textos evidenciam o silenciamento institucional e a falta de reconhecimento dos crimes como agravantes da violência e, ao mesmo tempo, mola propulsora para narrar a dor.
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PDFDOI: http://dx.doi.org/10.18542/moara.v0i70.20203












