A contra-notícia de Verenilde Santos Pereira em Um rio sem fim
Resumo
Este ensaio pretende analisar o romance Um rio sem fim (1998), de Verenilde Santos Pereira, explorando na obra o sentido de “contra-notícia” que propomos haver em seu teor narrativo. A ideia é, primeiramente, demonstrar que uma estratégia “noticiosa” (entenda-se: veiculação de informações com verniz objetificante) permeou o processo de representação dos povos originários do Brasil a partir da perspectiva dos colonizadores e seus descendentes discursivos. Nesse cenário, cônicas, cartas, notícias, relatos e informes do “Novo Mundo” reportavam com contornos de certo formalismo os grupos humanos e suas terras, assim chamadas “desconhecidas”. A seguir, defendemos a ideia de que processos de consenso na circulação literária, em períodos de abertura política, derivam de normas advindas de estágios francamente autoritários da história. Por fim, vamos explorar a obra de Pereira desde a sua gênese no campo jornalístico e acadêmico até a sua realização no campo narrativo-poético. Entendemos que o processo de criação tenha levado a autora a compor um romance contrapontuante em relação ao quadro anteriormente sumarizado
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PDFDOI: http://dx.doi.org/10.18542/moara.v0i70.20738












