Acordo de pesca comunitário em Cametá-PA: experiência no Rio Paruru de Janua-Coeli
Resumo
O presente trabalho aborda o Acordo Comunitário de Pesca da localidade do Rio Paruru de Janua-Coeli, em Cametá, Pará. O objetivo foi analisar o contexto histórico que levou à sua criação e identificar os desafios enfrentados para sua manutenção. A metodologia adotada baseou-se em um estudo de caso de caráter qualitativo, utilizando entrevistas fechadas e abertas, além de revisão bibliográfica sobre o tema. Os resultados indicam que o acordo de pesca evoluiu em três momentos distintos: i) inicialmente surgiu de forma informal, com poucas medidas claras sobre a conservação dos recursos pesqueiros, destacando o protagonismo dos pescadores na garantia da segurança e soberania alimentar da comunidade; ii) em 1995, com o estabelecimento de regras conforme as regulamentações existentes sobre a atividade pesqueira; iii) através da homologação do acordo de pesca no município de Cametá, articulado com entidades públicas e com base em regulamentação jurídica (portaria), ordenando o setor de pesca da região de Cametá-PA. O Acordo Comunitário de Pesca desempenha um papel crucial na gestão dos recursos pesqueiros em Cametá, evidenciando a importância da colaboração entre as partes interessadas para superar desafios e garantir um futuro sustentável para as comunidades locais e os ecossistemas aquáticos.
Palavras-chave
Ordenamento pesqueiro; Pesca artesanal; Gestão participativa; Amazônia
Texto completo:
PDFReferências
ALMEIDA, A. W. B. Territórios de vida, territórios em disputa: povos e comunidades tradicionais na Amazônia. In: DIEGUES, A. C. (Org.). Enciclopédia Caiçara. Vol. 3. São Paulo: NUPAUB-USP, p. 87-122, 2008.
ALMEIDA, A. W. B. Territórios de vida, territórios em disputa: povos
e comunidades tradicionais na Amazônia. In: DIEGUES, A. C. (org.).
Enciclopédia Caiçara. São Paulo: NUPAUB-USP, 2008. v. 3, p. 87-122.
ALMEIDA, O. T. Manejo da Pesca na Amazônia Brasileira. Editora Petrópolis. São Paulo. 2006.
BRASIL. Instrução Normativa IBAMA no 29, de 31 de dezembro de
Brasília, DF: IBAMA, [2002]. Disponível em: www.direito.mppr.
mp.br/arquivos/File/Instrucao-Normativa-n-29-2002.pdf. Acesso em: 24
abr. 2025.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente; Ministério da Pesca e Aquicultura.
Instrução Normativa Interministerial no 13, de 25 de outubro de 2011. Estabelece normas gerais para o ordenamento da pesca na sub-
bacia hidrográfica do rio Tocantins. Brasília, DF: Diário Oficial da União,
Seção 1, p. 121, 26 out. 2011.
BRASIL. Lei no 7.679, de 23 de novembro de 1988. Dispõe sobre a
proibição da pesca de espécies em períodos de reprodução e dá outras
providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 126, n.
, p. 22753, 24 nov. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/l7679.htm. Acesso em: 10 mai. 2024.
CERDEIRA, R. G. P. Acordo de Pesca como instrumento de gestão participativa na Amazônia. Mestrado em Direito Ambiental – Manaus: Universidade Estadual do Amazonas, 2009.
HARDIN, G. The Tragedy of the Commons. Science, v. 162, pp. 1.243-1.248, 1968.
HOLANDA, B. S.; MAGALHÃES, S. B.; MARTINS, P. F. S.; SIMÕES, A. V. Conflictos socioambientales en la pesca del mapará (Hypophthalmus marginatus): efectos de la represa Tucuruí. Revista De Estudios Brasileños, 7(15), p. 179-193, 2021.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Cidades
e estados: Cametá. IBGE, 2022. Disponível em: https://www.ibge.gov.
br/cidades-e-estados/pa/cameta.html. Acesso em: 20 abr. 2025.
ISAAC, V. J.; CERDEIRA, R. G. P. Avaliação e monitoramento de impactos dos acordos de pesca na região do Médio Amazonas. Manaus: IBAMA/Pró Várzea, 2004.
LEÃO, A. PASTANA; ARNAUD, M. J. C. Acordo de pesca artesanal na Comunidade de Rio Cardoso: políticas públicas e práticas de r-existência em Limoeiro do Ajuru, Pará. Revista Mutirõ. Folhetim de Geografias Agrárias do Sul, v. 4, n. 2, 2023.
LITTLE, P. E. Territórios sociais e povos tradicionais no Brasil: por uma antropologia da territorialidade. Série Antropologia, Brasília, n. 322, 2002.
LOUREIRO, C. F. B. Educação ambiental e movimentos sociais na construção da cidadania ecológica e planetária. In: LOUREIRO, C. F. B.; LAYRARGUES, P. P.; CASTRO, R. S. de. (Orgs.). Educação Ambiental: repensando o espaço de cidadania. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2005
LÜDKE, M; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
MAGURRAN, A.E. Measuring Biological Diversity. Blackwell Science Ltd, Oxford, 2004.
MARQUES, S. F.; TAVARES, F. B.; COPETTI, L. D. Desafios das organizações sociais frente às transformações da pesca artesanal no Baixo Tocantins-PA. Desenvolvimento Rural Interdisciplinar, Porto Alegre, v.3, n.1, 2020.
MCGRATH, D. G.; CASTRO, F.; FUTEMMA, C.; AMARA, B. do.; CALABRIA, J. Manejo comunitário da pesca nos lagos de várzea do Baixo Amazonas. In: FURTADO, L. G.; LEITÃO, W.; MELO, A. F. de (Orgs.). Povos das águas: realidade e perspectivas na Amazônia. Belém: MCT/ CNPq/ MPEG, 1993.
MELLO, A. F. Pescadores da Indústria: o complexo de Icoracy. In: FURTADO, L. G.; LEITÃO, W.; MELO, A. F. de (Orgs.). Povos das águas: realidade e perspectivas na Amazônia. Belém, MCT/ CNPq/ MPEG, 1993.
MINAYO, M. C. S. (Org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE - MMA. Cametá: Acordos de Pesca — uma alternativa econômica e organizacional. Série Sistematização, Revista II. Subpro-grama Projeto Demonstrativos. Brasília: MMA, 2006.
MOURÃO, L. P. O. T. Estratégias de Resistência da Comunidade de Cametá Tapera-Pá: condições de vida e de trabalho entre o urbano e o rural. VII Simpósio Internacional de Geografia Agrária e IX Simpósio Nacional de Geografia Agrária, Curitiba, novembro de 2017. Disponível em: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://singa2017.wordpress.com/wp-content/uploads/2017/12/gt05_1506896266_arquivo_trabalhocompletosinga2017.pdf. Acesso em: 27 abril 2025.
OLSON, M. The Logic of Collective Action: Public Goods and the Theory of Groups. Cambridge: Harvard University Press, 1965.
OSTROM, E. Governing the Commons: The evolution of Institutions for Collective Action. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.
OVIEDO, A. F. P.; BURSZTYN, M.; DRUMMOND, J. A. 2015. Agora sob nova
administração: Acordos de Pesca nas Várzeas da Amazônia Brasileira. Ambiente & Sociedade, Ambiente & Sociedade, v. XVIII, n. 4, p. 119-138, 2015.
PARÁ. Decreto no 1.686, de 29 de junho de 2021. Regulamenta o
procedimento administrativo para a elaboração e homologação de
Acordos de Pesca no Estado do Pará, e dá outras providências. Belém:
Diário Oficial do Estado do Pará, n. 34.629, 30 jun. 2021. Disponível em:
semas.pa.gov.br. Acesso em: 24 abr. 2025.
PARÁ. Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade
(SEMAS). Portaria no 288, de 28 de fevereiro de 2024. Homologa o
Acordo de Pesca firmado por comunidades tradicionais localizadas
no município de Cametá, no estado do Pará. Belém: Diário Oficial do
Estado do Pará, n. 35.727, 29 fev. 2024. Disponível em: semas.pa.gov.br.
Acesso em: 10 abr. 2025.
PEREIRA, H. S.; SOUZA, D. S. R.; RAMOS, M. M. A Diversidade da Pesca nas comunidades da área Focal do Projeto Piatam. Capítulo VIII. Comunidades ribeirinhas amazônicas modos de vida e uso dos recursos naturais. Amazonas, Manaus. EDUA, p. 224, 2007
SANTOS, G. M.; SANTOS, A. C. M. Sustentabilidade da Pesca na Amazônia. Estudos Avançados, 19 (54):165-182, 2005.
SOARES, J. L. F.; SIMÕES, A.; FLORES, M. S. A. Legislação pesqueira como apoio aos acordos de pesca do Baixo Tocantins (Pará, Brasil). Revista de educação, ciência e tecnologia do IFAM, Vol. 17, Nº 2, 2023.
TAVARES, F. B.; DIAS, S. C. Conflitos em Torno da Emergência de Inovações Sócio-organizacionais: O Caso do Acordo de Pesca Na Comunidade Ribeirinha De Pacuí De Baixo (Cametá-PA). Agricultura Familiar: Pesquisa, Formação e Desenvolvimento, n. 10, p. 87-100, 2014.
DOI: http://dx.doi.org/10.18542/ncn.v29i3.19167
Direitos autorais 2026 Daniele Souza de Freitas, André Carlos de Oliveira Rocha, Edir Augusto Dias Pereira, Cezário Ferreira dos Santos Junior

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Instagram: Novos Cadernos NAEA
Indexadores e diretórios
Web of Science (Emerging Sources Citation Index) - Sitema Regionalde Información en línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, Espanã y Portugal (Latindex) - Portal Brasileiro de Publicações e Dados Científicos em Acesso Aberto (Oasisbr) -European Reference Index for the Humanities and Social Sciences (ERIH PLUS) - Crossref - Portal de Periódicos da CAPES -Google Scholar - Diretório de Políticas de Acesso Aberto das Revistas Científicas Brasileiras (Diadorim) - Diretório das revistas científicas eletrônicas brasileiras (Miguilim) - Diretory of Open Acces Scholarly Resources (ROAD) -Directory of Open Acess Journals (DOAJ).
Print ISSN: 1516-6481 – Eletrônica ISSN: 2179-7536
