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Análises do uso da terra pela agropecuária em Paragominas-PA e sua relação com o desmatamento

Jordanio Silva Santos, Roberto Araújo de Oliveira Santos Júnior, Maria de Lourdes Pinheiro Ruivo

Resumo

A dinâmica de uso da terra em Paragominas-PA expressa uma das tensões centrais da Amazônia contemporânea: a tentativa de conciliar expansão agropecuária, controle do desmatamento e construção de agendas locais de sustentabilidade. Nesse contexto, o objeto deste estudo é a relação entre a reorganização territorial da agropecuária, especialmente a soja e a pecuária bovina, e a dinâmica do desmatamento no município. O objetivo deste artigo é analisar o avanço das atividades agropecuárias, com ênfase na soja e na pecuária bovina, em Paragominas-PA, e sua relação com a dinâmica do desmatamento no período de 2006 a 2023. Metodologicamente, foram analisados dados da Produção Pecuária Municipal (PPM/IBGE), da Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE), do PRODES/INPE e do MapBiomas, por meio de comparação temporal, cálculo de variações percentuais, análise de uso e cobertura da terra e comparação territorial entre Paragominas, a Região de Integração Rio Capim, o Pará e a Amazônia Legal. Os resultados evidenciam o protagonismo da soja (Glycine max), cuja área cultivada cresceu 2.600,00% e cuja produção aumentou 2.703,50%, enquanto o rebanho bovino municipal reduziu 17,55% entre 2006 e 2023, embora Paragominas tenha permanecido como principal polo pecuário da RI Rio Capim. O desmatamento acumulado cresceu 8,26% no período, indicando desaceleração relativa do ritmo de supressão florestal, mas não desmatamento zero. Conclui-se que parte da expansão da soja ocorreu sobre áreas anteriormente destinadas à pastagem, ao passo que a redução local do rebanho bovino convive com indícios de deslocamento da pressão agropecuária para municípios vizinhos, relativizando o reconhecimento de Paragominas como território plenamente sustentável e reforçando a necessidade de governança ambiental em escala regional.


Palavras-chave

Soja. Gado. Incentivos. Impactos. Território.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/ncn.v29i3.19538

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