Logo do cabeçalho da página Novos Cadernos NAEA

O fim da Vila Santo Antônio para a construção da Hidrelétrica Belo Monte

Ana Lúcia Almeida de Oliveira, César Martins de Souza, Tabita Fernandes da Silva

Resumo

A Vila Santo Antônio, em Vitória do Xingu-PA, surgiu logo após a construção da rodovia Transamazônica e, durante quase quarenta anos, se constituiu em um lugar onde os moradores construíram suas vidas, definiram identidades e sociabilidades. Com a construção da Hidrelétrica Belo Monte, os moradores foram retirados para que a área da vila servisse de base para o empreendimento. Nesse sentido, o presente estudo busca compreender, a partir da visão de moradores da Vila Santo Antônio, as memórias do processo de remoção compulsória e da extinção da comunidade. O desenvolvimento de pesquisa de campo, com observação, entrevistas e pesquisa documental, evidencia que os moradores da vila sofreram com os impactos da expropriação de seus territórios, bem como de seus modos de vida, pois, bruscamente, se viram afastados do rio, da floresta, dos vizinhos, dos parentes e da garantia dos meios para sua existência física e social.


Palavras-chave

Grandes Projetos. Hidrelétrica Belo Monte. Amazônia. Comunidade Ribeirinha.


Texto completo:

PDF

Referências


BARTH, F. Análise da cultura nas sociedades complexas. In: BARTH, F. O guru, o iniciador e outras variações antropológicas. Tradução: John Cunha Comerford Rio de Janeiro: Contra Capa Livraria, 2000. p. 107-139.

BRASIL. Parecer no 168/2012. Relatório Semestral de Andamento do Projeto Básico Ambiental e das Condicionantes da Licença de Instalação da Usina Hidrelétrica Belo Monte. Brasília: IBAMA, 2012. Disponível em: http://reporterbrasil.org.br/wp-content/uploads/ 2013/02/Analise-CondicionantesIbama.pdf. Acesso em: 20 out. 2015.

BURKE, P. A escrita da história. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1992. 354p.

COUDREAU, H. Viagem ao Xingu. São Paulo: Itatiaia/EDUSP, 1977.

DURHAM, E. A pesquisa antropológica com populações urbanas: problemas e perspectivas. In: CARDOSO, R. (ed.). A aventura antropológica: teoria e pesquisa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. p. 17-38.

FALCÃO, A. Belo Monte: uma usina de conhecimento. Rio de Janeiro: Insight, 2010. 204p.

FERNANDES, B. M. Os usos da terra no Brasil. São Paulo: UNESP, 2014. 108p.

HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução: Tomaz Tadeu da Silva e Guaciara Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP&A, 2013. 102p.

HALL, S. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009. 434p.

IBGE. Catálogo - Vitória do Xingu. Rio de Janeiro: IBGE, 2016 .Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br/biblioteca-catalogo.html?view=detalhes&id=3833. Acesso em: jan. 2016.

IDESP. Síntese Econômica, Social e Ambiental do Município de Vitória do Xingu. Belém: IDESP, 2013.

ISA. Belo Monte: não há condições para a Licença de Operação. Brasília, DF: ISA, 2015. 172p.

JELIN, E. Los trabajos de la memoria. Madrid/Espanha: Siglo XXI de España Editores, 2002. 146p.

LE GOFF, J. História e memória. Tradução: Bernardo Leitão et al. 4 ed. Campinas: UNICAMP, 1996. 504p.

MAGALHÃES, S. B. Lamento e dor. Uma análise sócio-antropológica do deslocamento compulsório provocado pela construção de barragens. 2007. 278 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Pará, Belém, 2007.

MARTINS DE SOUZA, C.; GUERRA, G. Propagandas, discursos e análises sobre Belo Monte em Altamira, Pará, Brasil. Agricultura Familiar: Pesquisa, Formação e Desenvolvimento, Belém, v. 11, n. 2, p. 85-98, jul./dez. 2017.

MARTINS DE SOUZA, C. De migrantes nordestinos a seringueiros no Xingu: história, memória e literatura em ‘A batalha do Riozinho do Anfrísio’. In: MARTINS DE SOUZA, C. de; CARDOZO, A. Histórias do Xingu: fronteiras, espaços e territorialidades. Belém: EDUFPA, 2008. p. 215-234. 236p.

MILEO, I. S. de O; FREITAS, L. G. de. Narrativas infantis no contexto de UHE Belo Monte: a quebra do vínculo comunitário das crianças remanejadas. EDUCAmazonia, Humaitá-AM, v. XVII, n. 12, p. 271-295, jul./dez. 2016.

PETIT, P. Chão de promessas - Elites políticas e transformações econômicas no estado do Pará pós-1964. Belém: Paka-Tatu, 2003.

RICARDO, C. A. Povos indígenas no Brasil: 1996 a 2000. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2000. 832p.

SOVIK, L. Apresentação – para ler Stuart Hall. In: HALL, S. Da Diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009. p. 09-22.

UMBUZEIRO, A. U. B. Altamira e sua história. 4. ed. Belém: Porto Press, 2012. 382p.




DOI: http://dx.doi.org/10.5801/ncn.v22i3.5704

Flag Counter

Print ISSN: 1516-6481 – Eletrônica ISSN: 2179-7536