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Invisibilidade da pluriatividade da mulher quilombola: o caso de Moju-Miri

Maria Cristina Cordeiro Lopes Pontes, Angela May Steward

Resumo

As comunidades quilombolas são grupos sociais que possuem formas próprias de organização social, ocupando e usando territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, fazendo uso de conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição. Neste artigo o propósito foi verificar como ocorre o trabalho feminino dentro da comunidade quilombola Moju Miri, localizada município de Moju, Estado do Pará. O estudo procura verificar o papel das mulheres na produção, sobretudo identificar a participação das mulheres nas atividades produtivas que compõem a economia doméstica; e como é percebido o trabalho das mulheres na família e na comunidade, além de trazer a luz questões sobre a invisibilidade do trabalho feminino nas comunidades quilombolas. Justifica-se a natureza deste estudo, pela geração de informações sobre as mulheres quilombolas, que poderão servir de base para elaboração de políticas públicas futuras. Entre os principais resultados, percebe-se que as mulheres quilombolas de Moju Miri são mulheres que dedicam a maior parte do tempo às tarefas domésticas e ao extrativismo, inseridas no conceito de pluriatividade. O que nos leva a refletir quanto á necessidade de refutar percepções negativistas que tendem a reduzir e discriminar o papel das mulheres quilombolas; pois essas desempenham um papel fundamental na comunidade, contribuindo de forma significativa para a economia doméstica e a vida social da comunidade.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/raf.v13i2.8715

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