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A proposta deste dossiê orienta-se por uma questão pragmática: como criar uma antropologia da vida no momento em que somos perturbadas/os pela catástrofe? Como habitar um mundo em ruínas, territórios existenciais devastados pelas mortes em série da pandemia da Covid-19 e por catástrofes ecológicas e climáticas? Nosso objetivo é testar ferramentas e conhecer outros arranjos ecológicos para tornar habitáveis nossos mundos pessoais e coletivos devastados e gerar reflexões para lidar com catástrofes e seus efeitos. No caminho, podemos nos encontrar com nós mesmas/os vulneráveis e desequipadas/os para lidar com catástrofes provocadas pelo modo capitalístico de gerir a vida coletiva no planeta. De um ponto de vista outro, a pandemia pode não ser a pior das catástrofes. Para outros povos, entre tantas possibilidades e desdobramentos, outras epidemias que acompanham mineração, grandes obras de infraestrutura e invasão agropastoril ameaçam continuamente destruir seus mundos. A perspectiva dos animais enleados a catástrofes ecológicas e climáticas também poderá provocar uma nova sensibilidade ecológica diante do que estamos vivendo. Nesse percurso possível, a antropologia da vida se vincula a uma sensibilidade ou atenção às diversas ontologias ambientais, pragmáticas e éticas ecológicas e a convivialidades multiespécies para tomar a questão: como aprender a viver num mundo em catástrofe sem ser unicamente através do desespero ou da negação? Como resistir a ela? Este dossiê acolherá trabalhos baseados em pesquisas e que visem responder, em alguma medida, a essas perguntas.