O Mito da Criação da Mulher nas Sociedades Tradicionais: uma análise comparativa entre visões eurocêntricas e tradições africanas e amazônicas
Resumo
Resumo:
Este artigo investiga a influência dos mitos ocidentais de criação da mulher, representados por Pandora, na Grécia Antiga, e por Eva e Maria, na tradição cristã, sobre a construção de uma perspectiva eurocêntrica que molda as narrativas históricas. O estudo contrapõe essas representações às concepções de origem feminina presentes em cosmologias africanas e indígenas amazônicas, demonstrando contrastes significativos nos papéis sociais e simbólicos atribuídos às mulheres. O trabalho destaca a importância de um ensino de História inclusivo, capaz de reconhecer as mulheres como sujeitos históricos e de valorizar múltiplas visões culturais sobre a criação. Os resultados apontam que, enquanto as tradições ocidentais frequentemente associam o feminino à transgressão ou à função reguladora materna, as tradições africanas e amazônicas compreendem a mulher como princípio co-criador e agente constitutivo do mundo, oferecendo paradigmas alternativos de agência e autoridade feminina.
Palavras-Chave: Ensino de História. Mitos de criação. Mulheres.
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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/rcga.v0i28.20182
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