Nova Revista Amazônica

EXPLORAÇÃO FLORESTAL E RESTRIÇÕES AO USO DA SOCIOBIODIVERSIDADE PELA COMUNIDADE QUILOMBOLA FLEXINHA, GURUPÁ, PARÁ

Neiva dos Santos Gomes, Carla Giovana Souza Rocha

Resumo

O objetivo do artigo é analisar as influências do projeto de exploração florestal nas mudanças nos sistemas agroextrativistas e na sociobiodiversidade na Comunidade Quilombola Flexinha, município de Gurupá, Pará. A metodologia adotada foi de abordagem qualitativa, com entrevistas informais a lideranças e quatro entrevistas semiestruturadas à comunitários, além de observação e dados dos relatórios de pesquisa dos Tempos Comunidades do curso de graduação em Etnodesenvolvimento. O território quilombola da comunidade teve experiências de exploração madeireira por meio da empresa Hadex, como contrato assinado com a Associação dos Remanescentes de Quilombo de Gurupá (ARQMG), e mais recentemente, com a Carbonext, que visa a comercialização de créditos de carbono. A experiência no território nos remete a questionar a atuação governamental, a ação de atores econômicos protagonizados pelas empresas e, do envolvimento das organizações sociais formais, diante das relações de dominação, que impõem estratégias de atores externos às comunidades, sem a consulta qualificada às comunidades, sem a repartição justa dos benefícios, ocasionando mudanças que deterioram as relações ecológicas  e sociais locais. A exploração da madeira sem o devido manejo florestal ocasionou a extração indiscriminada de espécies de potencial madeireiro, diminuição da produção agrícola e aumento dos conflitos entre os comunitários e entre comunidades. 


Palavras-chave

Rio Amazonas; Comunidades tradicionais; Bioeconomia


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/nra.v13i2.17590

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