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PERFORMANCE EM CATÁSTROFE AMAZÔNIDA: INSURGÊNCIA MULTIESPÉCIE EM TERRITÓRIO PARAENSE

Karina Mateus da Silva, José Raphael Brito dos Santos

Resumo

Este artigo se insere no campo das Artes da Cena Amazônida e tem o objetivo de investigar a performance Aparição Vomitada como gesto artivista que tensiona as narrativas de progresso — garimpo como trabalho — na cidade de Itaituba, Pará, Brasil. A metodologia aciona a pesquisa-criação como procedimento analítico e poético: deriva urbana, cartografia afetiva, elaboração de indumentária com fibras de bananeira e registro das fricções com o público na rua. Os resultados evidenciam que a cena opera como emergência e dispositivo de desestabilização do cotidiano, produzindo estranhamento e disputa de imaginários. Ao compor um corpo-aparição entre encantaria, memória e matéria orgânica, a ação instala uma temporalidade que reconfigura percepções sobre território devastado e vida multiespécie. Conclui-se que performar em catástrofe amazônida não é representar a ruína, mas insurgir com ela.

Palavras-chave: Poética amazônida; performance urbana; processo de criação; cidade-pepita; corpo-cidade.

PERFORMANCE IN AMAZONIAN CATASTROPHE: MULTISPECIES INSURGENCY IN THE TERRITORY OF PARÁ

Abstract

This article is situated in the field of Amazonian Performance Studies and aims to investigate the performance Aparição Vomitada as an artivist gesture that challenges narratives of progress — mining as labor — in the city of Itaituba, Pará, Brazil. The methodology mobilizes practice-as-research as both an analytical and poetic procedure: urban dérive, affective cartography, the creation of garments made of banana-fiber, and the documentation of frictions with street audiences. The results indicate that the performance functions as an emergency and as a device for destabilizing everyday life, producing estrangement and the contestation of imaginaries. By composing an apparition-body that intertwines enchantment, memory, and organic matter, the action installs a temporality that reconfigures perceptions of devastated territory and multispecies life. The article concludes that performing in Amazonian catastrophe is not about representing ruin, but about rising up with it.

Keywords: Amazonian poetics; urban performance; creative process; “gold-rush” city; body-city.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/arteriais.v12i24.18559

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