APRESENTAÇÃO – CRIAÇÕES E VIDAS MULTIESPÉCIES EM TEMPOS DE CATÁSTROFES – PARTE II
Resumo
Habitar o tempo das catástrofes é, tantas vezes, seguir “apesar de”. Clarice Lispector em sua célebre obra Uma Aprendizagem ou O livro dos Prazeres nos inspira a pensar não apenas no que conseguimos fazer “apesar de”, mas como que esses “apesares” também são força propulsora para seguirmos em vida e movimento. “Migrações, explosões de desigualdades e Novo Regime Climático: trata-se da mesma ameaça” (Latour, 2020, p. 19). Inundações no sul de Minas Gerais, guerras no oriente médio, mineradoras avançando sobre territórios originários, feminicídios... São muitas as situações gritantes que nos entristecem e são capazes, inclusive, de frear qualquer capacidade de imaginar um mundo – ou outros mundos – para além de tamanha dor. Com este dossiê desejamos e acreditamos que é possível experimentar modos inusitados e diferentes da lógica mobilizada pelo sistema colonial capitalístico (Rolnik, 2018) que suga a nossa energia vital e destrói a possibilidade de existir em afetos alegres. Apesar de, seguimos. Apesar de, permanecemos vivos e em movimento. Apesar de, insistimos em criar, em nos organizar, em multiplicar coletivos, em florescer parentescos raros. Apesar de, escrevemos, contamos estórias, fabulamos, ficcionalizamos. Assim, apesar das catástrofes, dos eventos extremos, das mudanças climáticas, continuamos buscando e cocriando saídas para, como diz Haraway, “[...] moldar futuros multiespécies mais vigorosos” (Haraway, 2021, p. 42).
Texto completo:
PDFDOI: http://dx.doi.org/10.18542/arteriais.v12i24.21214
Direitos autorais 2026 Arteriais - Revista do Programa de Pós-Graduação em Artes

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.
Indexadores





2.png)