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SOBRE PÁSSAROS E PROMESSAS: ESCOLHAS SUBJETIVAS

João Claudio Todorov

Resumo

Cento e quarenta e seis alunos matriculados em disciplinas de graduação do curso de psicologia da Universidade de Brasília em 1992 indicaram sua preferência entre uma quantia de dinheiro, hipoteticamente disponível com determinadas probabilidades ou demoras, e uma quantia garantida e imediata. Nos Experimentos 1  e 2 as quantias foram expressas em cruzeiros e nos Experimentos 3 e 4 em dólares. A função que relaciona a quantia garantida e imediata que é subjetivamente equivalente à quantia a  ser recebida no futuro tem a mesma forma (hipérbole) tanto quando a questão é formulada em cruzeiros quanto em dólares, mas a inclinação (desconto) é maior para cruzeiros, evidenciando, provavelmente, diferenças no desconto entre estudantes brasileiros  e norte-americanos em função de diferenças na confiança nas respectivas moedas. A função que relaciona a quantia garantida e imediata que é subjetivamente equivalente à quantia que depende de uma probabilidade para ser recebida não foi a hipérbole relatada na literatura, mas uma função potência, com praticamente os mesmos parâmetros para cruzeiros e dólares.  No experimento 2 os participantes escolheram entre uma quantia de Cr$100.000,00 a ser recebida no futuro e a mesma quantia a ser recebida de imediato, mas dependendo de uma certa  probabilidade. No Experimento 4 a escolha era entre US $ 1.000,00 a ser recebido no futuro e os mesmos mil dólares a serem recebidos de imediato, mas dependendo de uma certa probabilidade. Em ambos os experimentos a demora atribuída a uma dada quantia foi proporcional à probabilidade de ganhar a quantia subjetivamente equivalente. Os ditados populares “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando” (probabilidade) e “Promessas não pagam dívidas” (atraso) parecem estar empiricamente validados pelo presente experimento. A escolha entre quantias prováveis e quantias certas mostrou um padrão replicável, independente de varáveis contextuais (e.g., inflação). Promessas muitas vezes especificam conseqüências reforçadoras com atraso, e confiar no pagador de promessas é um comportamento que depende de uma história de reforçamento.

xPalavras-chave: risco, escolha, decisão, probabilidade, atraso, equivalência subjetiva.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/rebac.v1i2.792