Revista A Palavrada

Euclides da Cunha e a exploração da natureza/Euclides da Cunha and the exploration of nature

Attila Huszar

Resumo

Este artigo analisa a ambivalência inerente ao tratamento literário do assunto da natureza nos escritos de Euclides da Cunha. Se Cunha, por um lado, insiste num controle racional da natureza como garantia do progresso da sociedade e do estabelecimento da civilização, e se critica em seguida a exploração predadora da natureza por seus compatriotas, chegando a uma crítica de empenho ecológico cuja atualidade é inegável, a especialidade deste discurso é, por outro lado, posta em perigo pela sua ligação às teorias raciais às quais o escritor adere. Pela análise de Os sertões, de artigos em Contrastes e confrontes e em À margem da história, tentamos comprovar que este controle racional da natureza proposto por Cunha pode a cada instante transformar-se numa dominação irracional e destruidora dirigida contra a natureza e o homem.

 

 

The following article analyses the ambivalence inherent in the literary treatment of the theme of nature in the writings of Euclides da Cunha. If Cunha, on one hand, insists on a rational control of nature as a guarantee of the progress of society and the establishment of civilization, and if he criticises the predatory exploitation of nature by his compatriots, thus arriving at a form of ecological criticism which is today more important than ever, the particularity of his discourse is endangered by its connection to racial theories which the author adhered to. Through the analysis of Os sertões and articles from Contrastes e confrontes and À margem da história, we try to prove that the racional control of nature suggested by Cunha can, at each moment, turn into a form of irrational and destructive domination directed against nature and humans.


Palavras-chave

Euclides da Cunha; natureza; ecologia


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/apalavrada.v0i28.19883

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