Deslocamentos e entre-lugares no romance Qin?' bi-lawn al-sam?' de Bassem Khandaqji / Displacement and In-Between Spaces in the novel Qin?' bi-lawn al-sam?' by Bassem Khandaqji
Resumo
Resumo: O artigo examina o romance Qin?' bi-lawn al-sam?' (“Uma máscara da cor do céu”, tradução nossa), de Bassem Khandaqji, como um caso-limite das literaturas migrantes, diaspóricas e errantes, que articula exílio interno, mobilidade impossibilitada e identidades fraturadas. A partir da historicização da obra literária – entendida como um testemunho situado e não como entidade autônoma –, a análise insere o romance no campo das produções que elaboram deslocamentos forçados, temporalidades suspensas e formas alternativas de pertencimento. A escrita de Khandaqji, produzida sob encarceramento e submetida à censura, emerge como enunciação subalterna e ecoa a formulação de Spivak sobre a fala que irrompe pelas fissuras do aparato que a silencia. A trajetória do protagonista é lida como dramatização de um hibridismo ontológico, em que a máscara identitária opera simultaneamente como dispositivo de sobrevivência e como revelação da arbitrariedade das fronteiras entre “eu” e “outro”. A errância do personagem inscreve-se no terceiro espaço de Bhabha, no entre-lugar de Santiago, na figura simmeliana do estrangeiro e aproxima-se da tradição literária do sujeito errante. A análise integra excertos do romance para evidenciar como a narrativa encena o conflito entre mobilidade e cerco, pertencimento e exclusão, memória e apagamento. Ao final, argumenta-se que a obra de Khandaqji – ficção e testemunho, invenção e documento – reinscreve a literatura como espaço de elaboração simbólica do trauma histórico. O texto sublinha o compromisso da produção literária com o real e a sua capacidade de iluminar experiências de vida marcadas pela violência estrutural, pela fratura identitária e pela busca persistente por um lugar.
Palavras-chave: exílio interno; errância; hibridismo identitário; literatura palestina contemporânea; mobilidade impossibilitada.
Abstract: This article examines the novel Qin?' bi-lawn al-sam?' (“A sky-blue mask”, our translation) by Bassem Khandaqji as a limit case within migrant, diasporic, and wandering literatures, articulating internal exile, constrained mobility, and fractured identities. Starting from the historicization of the literary work – understood as a situated testimony and not as an autonomous entity –, the analysis situates the novel as a historically determined testimony that elaborates forced displacement, suspended temporalities, and alternative forms of belonging. Written under incarceration and subject to censorship, Khandaqji’s narrative emerges as a subaltern enunciation in Spivak’s sense: a voice that breaks through the fissures of the apparatus that seeks to silence it. The protagonist’s trajectory is read as a dramatization of an ontological hybridity in which the mask operates both as a device of survival and as a revelation of the arbitrariness of identity boundaries. The character’s errancy unfolds within Bhabha’s “third space,” Santiago’s “in-between spaces”, and the Simmelian figure of the stranger, while also resonating with the broader literary tradition of the wandering subject. The analysis integrates excerpts from the novel to show how the narrative stages the conflict between mobility and enclosure, belonging and exclusion, memory and erasure. Ultimately, the article argues that Khandaqji’s work – at once fiction and testimony, invention and document – reaffirms literature as a privileged space for the symbolic elaboration of historical trauma. It underscores the commitment of literary production to the real and its capacity to illuminate lives shaped by structural violence, identity fracture, and the persistent search for place.
Keywords: internal exile; errancy; identity hybridity; contemporary Palestinian literature; constrained mobility.
Palavras-chave
exílio interno; errância; hibridismo identitário; literatura palestina contemporânea; mobilidade impossibilitada.
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PDFReferências
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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/apalavrada.v0i29.20277
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