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“O RIO VAI VIRAR RIACHO”: UM OLHAR SOBRE AS REPRESENTAÇÕES DOS PESCADORES ARTESANAIS DO RIO GRANDE, BARREIRAS, BAHIA, BRASIL

Leticia Campos, Wallas Gabriel dos Santos Calazans

Resumo

Diversas pesquisas vêm sendo realizadas para acessar as representações ambientais de diferentes populações locais e/ou tradicionais. Partindo do pressuposto que as representações das populações ribeirinhas são essenciais para gestão pública dos recursos hídricos e conhecimento das paisagens locais, essa pesquisa foi norteada pelos seguintes objetivos: 1) entender as principais modificações da paisagem no entorno do rio Grande; 2) mapear os fatores de risco para atividade de pesca e, por fim; 3) catalogar as estratégias para sustentabilidade do uso dos recursos aquáticos. A pesquisa foi realizada no município de Barreiras, Bahia.  Para coleta de dados utilizamos listas livres, entrevistas semiestruturadas, oficinas participativas, e observação participante. Na análise de dados, foi utilizada a análise qualitativa de União das Diversas Competências Individuais, análise de Word Cloud, e o Mapeamento Participativo de Riscos. As principais mudanças na paisagem, no entorno do Rio Grande, foram: poluição, diminuição do nível do rio, destruição da mata ciliar, “desbarrancamento” das encostas, e alteração na disponibilidade dos peixes. Foram levantados 11 fatores de risco, com destaque para esgotos, dragas e pesca predatória. Estes riscos citados têm relação com as mudanças que ocorreram na paisagem, mostrando que estas podem impactar negativamente o corpo hídrico e a atividade de pesca. Nos discursos dos pescadores, a fala de que “o rio vai virar riacho” foi recorrente; dessa forma, ações que considerem suas representações e que contribuam para redução dessa insegurança são necessárias. Nessa perspectiva, podemos constatar que aliar ferramentas de representação de paisagem e de riscos é uma boa estratégia para diagnosticar problemas ambientais, além de indicar ações prioritárias para conservação dos recursos aquáticos.


Palavras-chave

etnobiologia; populações e comunidades tradicionais; meio ambiente


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/ethnoscientia.v11i1.18572

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