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Os conceitos de memória e patrimônio sob a ótica de lideranças indígenas: interface com as teorias de Michel Foucault e Aníbal Quijano

Rita Cunha, Rosiane Maria, Caroline Pasa

Resumo

O artigo apresenta parte da experiência proporcionada pela disciplina Viver, conviver e gerar vida em Plenitude: pesquisa sociopoética para a organização do conhecimento. Uma das atividades envolveu a visita à Aldeia Pira Rupa, localizada em Palhoça/SC, Brasil. Com o objetivo de refletir sobre diferentes concepções de patrimônio e memória a partir da experiência vivida, foram entrevistadas duas lideranças da comunidade indígena – o Cacique Marco e o professor Silvio – acerca de seus entendimentos sobre memória e patrimônio. A pesquisa, de natureza básica com abordagem qualitativa descritiva e exploratória, adotou a história oral como procedimento metodológico. O referencial teórico articula as noções de colonialidade do saber (Aníbal Quijano) e de poder-saber (Michel Foucault) para desnaturalizar as narrativas oficiais da história. Os resultados são apresentados em três eixos de análise: o patrimônio como bem comum versus propriedade privada; a memória como ancestralidade e resistência; e o papel da escola indígena como território de re-existência e transmissão de saberes. Conclui-se que os conceitos de memória e patrimônio, tal como compreendidos pelas lideranças Guarani, evidenciam o distanciamento entre as categorias ocidentais institucionalizadas e as cosmovisões indígenas, apontando para a necessidade de uma descolonização epistemológica que reconheça a pluriversalidade das formas de lembrar e narrar o passado.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/rve.v0i1.20109

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