Revista A Palavrada

Discriminação e resistência: um estudo de Cartas a uma negra na perspectiva da trajetória ocupacional e da metanegritude / Discrimination and resistance: a study of Cartas a uma negra in the perspective of occupational trajectory and metanegritude

Christopher Rive St Vil, Vitória Silva de Souza

Resumo

Resumo: Este artigo pretende investigar no romance epistolar Cartas a uma negra ([1978] 2021), de Françoise Ega, os problemas sociais vivenciados pelas mulheres migrantes, negras e antilhanas que eram marginalizadas e impelidas a progredirem nas suas trajetórias ocupacionais. A obra evidencia as diversas formas de discriminação racial sofridas no cotidiano dessas mulheres formadas ou em busca de qualificação. Ao chegarem à França metropolitana, elas eram contratadas apenas para serviços mal remunerados, como faxineiras em condição de “escravizadas”. Para tanto, analisa-se a desconstrução dos rótulos que eram impostos às mulheres negras do ponto de vista da metanegritude, demonstrando que a narradora-personagem procura ir além das etiquetas impostas, resgatando a memória e compartilhando as experiências, entre elas, de serem mulheres negras em busca de autonomia em uma sociedade que as classificava constantemente como insignificantes. Dessa forma, o estudo tem como principal arcabouço teórico autores(as) como Lilian Silva do Amaral Suzuki (2019), Lélia Gonzalez (2020), Juliana Cristina Teixeira (2021) e Christopher Rive St Vil (2024), que abordam temas como: a trajetória ocupacional, a discriminação ocupacional de migrantes e o desejo de romper com os estereótipos de acordo com a metanegritude. Conclui-se que a possibilidade de as mulheres negras e migrantes antilhanas de se transformar tanto no espaço geográfico quanto nos âmbitos de profissão e de cultura, mostra a liberdade de se reinventar, de possuir múltiplas identidades, de exercer diversas profissões, rejeitando qualquer tipo de classificação que as aprisione a um molde limitado de que mulheres negras devem ser sempre faxineiras.

 

Palavras-chave: Cartas a uma negra; faxineiras; trajetória ocupacional; metanegritude.

 

 

Abstract: This article aims to investigate in the epistolary novel Cartas a uma negra ([1978] 2021), by Françoise Ega, the social problems experienced by migrants, black and antilleans who were marginalized and pushed to progress in their occupational trajectories. The work highlights the various forms of racial discrimination suffered in the daily life of these women trained or seeking qualification. When they arrived in metropolitan France, they were hired only for low-paid services, such as cleaning women in the condition of “enslaved”. To this end, the deconstruction of the labels that were imposed on black women is analyzed from the point of view of metanegritude, demonstrating that the narrator-character seeks to go beyond the labels imposed, rescuing memory and sharing experiences, among them, of being black women seeking autonomy in a society that constantly classified them as insignificant. In this way, the study has as its main theoretical framework the authors such as Lilian Silva do Amaral Suzuki (2019), Lélia Gonzalez (2020), Juliana Cristina Teixeira (2021) and Christopher Rive St Vil (2024), who address topics such as: occupational trajectory, occupational discrimination of migrants and the desire to break with stereotypes according to metanegritude. It is concluded that the possibility of black women and antillean migrants to transform themselves both in geographical space, as a profession and culture, shows the freedom to reinvent themselves, to possess multiple identities, to exercise various professions, rejecting any kind of classification that imprisons them into a limited mold that black women should always be cleaners.

 

Keywords: Cartas a uma negra; cleaners; occupational trajectory; metanegritude.


Palavras-chave

Cartas a uma negra; faxineiras; trajetória ocupacional; metanegritude.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/apalavrada.v0i29.20595

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