Cabeçalho da página

Procedimentos metodológicos para alcance da qualidade da pesquisa em ensino: empregando Rasch para validação de itens sobre corrente e circuitos elétricos

Ericarla de Jesus Souza, Amanda Amantes

Resumo

Este artigo apresenta um estudo metodológico sobre a construção e a validação de um banco de itens relacionados à corrente elétrica e aos circuitos elétricos. Foram elaborados 40 itens, incluindo questões dicotômicas (de múltipla escolha e verdadeiro/falso) e discursivas, com base em instrumentos previamente disponíveis na literatura. A validação foi realizada com 205 estudantes da 3ª série do Ensino Médio de escolas públicas federais e estaduais que já haviam estudado o conteúdo. O Modelo Rasch foi utilizado para avaliar a dimensionalidade, a consistência interna, o ajuste dos itens e a adequação da amostra. Os resultados indicaram que o banco de itens é multidimensional e está bem ajustado. No entanto, os índices de confiabilidade e os valores de separação de pessoas itens sugerem que o instrumento pode apresentar limitações para discriminar estudantes com diferentes níveis de proficiência, especialmente em populações muito distintas. Apesar disso, a hierarquia dos itens apresentou elevada confiabilidade, sendo identificado apenas um item com ajuste insuficiente. Os procedimentos adotados contribuem para o avanço metodológico em relação à procedimentos de validação de instrumentos educacionais, oferecendo uma ferramenta consistente para a investigação do conhecimento sobre corrente elétrica e circuitos elétricos. Ressaltamos a importância de conduzir estudos futuros com amostras mais diversificadas para ampliar as evidências de validade.


Palavras-chave

modelagem Rasch; validação; ensino de física; corrente elétrica; circuitos elétricos.


Texto completo:

PDF

Referências


ALMIRO, P. A. A.; SIMÕES, M. R. Estudo da versão portuguesa do EPQ-R: uma aplicação do Modelo Rasch. In: GOLINO, H. G. et al. Psicometria contemporânea: compreendendo os modelos Rasch. Vol. I. 1. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2015. p. 242-281.

AMANTES, A. Contextualização no ensino de Física: efeitos sobre a evolução do entendimento dos estudantes. 2009. 275f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG/FaE, 2009.

AMANTES, A.; OLIVEIRA, E. A construção e o uso de sistemas de categorias para avaliar o entendimento dos estudantes. Ensaio, Belo Horizonte, v. 14, n. 2, p. 61-79, 2012.

AMANTES, A.; COELHO, G. R.; MARINHO, R. A medida nas Pesquisas em Educação: empregando o modelo Rasch para acessar e avaliar traços latentes. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências, v. 17, n. 3, p. 657-684, 2015.

BAYERL, Jonathan et al. Principles of signaling pathway modulation for enhancing human naive pluripotency induction. Cell Stem Cell, v. 28, n. 9, p. 1549-1565.e12, 2021.

BIGGS, J.; COLLIS, K. Evaluating the quality of learning: the SOLO Taxonomy. New York: Academic Press, 1982. v. 296.

BOND, T. G.; FOX, C. M. Important Principles of Measurements Made Explicit. In: BOND, T. G.; FOX, C. M. Applying the Rasch Model: Fundamental Measurement in the Human Sciences. 2. ed. London: LEA, 2007. p. 15-25.

BOLLEN, K. Equações estruturais com variáveis latentes. Nova Iorque: John Wiley & Sons, 1989. p. 179-225.

BRITTO, D. S. Práticas de modelagem matemática e dimensões da aprendizagem geométrica. Revista de Educação em Ciência e Tecnologia, v. 12, n. 1, p. 169-196, 2021.

BROWN, T. A. Confirmatory Factor Analysis for Applied Research. 2. ed. New York, NY: The Guilford Press, 2015.

CALHEIROS, F.; MELO, V. F. de; AMANTES, A. O autoconceito em Química de estudantes do Ensino Médio de escolas de Salvador: uma análise exploratória em busca de fatores preditivos. Revista Exitus, v. 13, n. 1, p. e023058, 2023. DOI: 10.24065/re.v13i1.2176.

COELHO, Geide Rosa. A evolução do entendimento dos estudantes em eletricidade: um estudo longitudinal. 2011. Tese (Doutorado em Educação) — Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2011.

COOK, D. A.; BECKMAN, T. J. Current concepts in validity and reliability for psychometric instruments: theory and application. The American Journal of Medicine, v. 119, n. 2, p. 166.e7-166.e16, 2006.

CORTINA, J. M. What is coefficient alpha? An examination of theory and applications. Journal of Applied Psychology, v. 78, p. 98-104, 1993.

CRONBACH, L. J.; GLESER, G. C.; NANDA, H.; RAJARATNAM, N. The dependability of behavioral measurements: Theory for generalizability of scores and profiles. New York: John Wiley, 1972.

CUNHA, C. M.; ALMEIDA NETO, O. P. de; STACKFLETH, R. Principais métodos de avaliação psicométrica da validade de instrumentos de medida. Revista de Atenção à Saúde, v. 14, n. 47, p. 75-83, 2016. DOI: https://doi.org/10.13037/ras.vol14n47.3391. ISSN 2359-4330.

FISCHER, K. W. A theory of cognitive development: the control and construction of hierarchies of skills. Psychological Review, v. 87, p. 477-531, 1980. DOI: 10.1037/0033-295X.87.6.477.

FOX, Christine M.; JONES, James A. Uses of Rasch modeling in counseling psychology research. Journal of Counseling Psychology, v. 45, n. 1, p. 30-45, 1998. DOI: 10.1037/0022-0167-45.1.30

GADÉA, S. J. S.; AMANTES, A. Avaliando a aprendizagem de estudantes dos anos iniciais sobre flutuação em uma atividade investigativa. Revista EDUCAmazônia, Ano 12, v. XXIII, n. 2, p. 21-46, jul./dez. 2019.

GONÇALVES JUNIOR, Wanderley Paulo. A programação como ferramenta para o ensino de Física: aprendizagem sobre força por meio do Scratch. 2021. Tese (Doutorado em Ensino, Filosofia e História das Ciências) — Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2021.

HAYES, B. E. Measuring Customer Satisfaction: Survey design, use, and statistical analysis methods. Milwaukee, Wisconsin: ASQC Quality Press, 1998.

LINACRE, J. M. A User’s Guide to WINSTEPS MINISTEPS Rasch Model Computer Programs. Chicago, 2006.

MAROCO, J.; GARCIA-MARQUES, T. Qual a fiabilidade do alfa de Conbrach? Questões antigas e soluções modernas? Laboratório de Psicologia, Lisboa, v. IV, n. 1, p. 65-90, 2006.

MARTINS, G. A. Sobre confiabilidade e validade. Revista Brasileira de Gestão de Negócios, São Paulo, v. VIII, n. 1, p. 1-12, jan. 2006.

MAZUR, E. Peer Instruction: a revolução da aprendizagem ativa. Porto Alegre: Penso Editora, 2015.

MELO, Viviane Florentino; AMANTES, Amanda. Mapeando elementos do perfil epistemológico de densidade. Amazônia: Revista de Educação em Ciências e Matemáticas, Belém, v. 17, n. 38, p. 153-172, 2021.

OLIVEIRA, Isabela Torres; WARTHA, Edson José. Construção e validação de um instrumento de coleta de dados: percepção de professores de possíveis impactos da pandemia da covid-19 na educação básica. Amazônia: Revista de Educação em Ciências e Matemáticas, Belém, v. 20, n. 44, p. 155-169, 2024.

OLIVEIRA, E. A. G.; AMANTES, A. Astronomy teaching in the elementar education in accordance with the new guidelines of the Base Nacional Comum Curricular. REVES - Revista Relações Sociais, v. 4, n. 4, p. 12825-12801, 2021.

PASQUALI, L. Validade dos testes psicológicos: será possível reencontrar o caminho?. Psicologia: teoria e pesquisa, v. 23, p. 99-107, 2007.

PASQUALI, L. Psicometria. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 43, p. 992-999, 2009.

RAYMUNDO, Valéria Pinheiro. Construção e validação de instrumentos: um desafio para a psicolinguística. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 44, n. 3, p. 86-93, set. 2009.

RICHARDSON, M. W. Notes on the rationale of item analysis. Psychometrika, v. 1, p. 69-76.

SAGLAM-ARSLAN, A. Cross-Grade Comparison of Students' Undesrtanding of Energy Concepts. Journal of Science Educational and Techonology, Netherlands, n. 19, p. 303-313, 2010.

SHOHAMY, E. The role of language tests in the construction and validation of secon-language aquisition theories. In: TARONE, E. E.; GASS, S. M.; COHEN, A. D. (Orgs.). Research methodology in second language aquisition. New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates publishers, 1994.

SILVEIRA, F. L.; MOREIRA, M. A.; AXT, R. Validação de um teste para verificar se o aluno possui concepções científicas sobre corrente elétrica em circuitos simples. Ciência e Cultura, São Paulo, v. 41, n. 11, p. 1129-1133, nov. 1989.

SILVEIRA, F. L. Um teste para verificar se o respondente possui concepções científicas sobre corrente elétrica em circuitos simples. In: ROCHA FILHO, J. B. Física no ensino médio: falhas e soluções. Porto Alegre: Edipucrs, 2011. p. 61-67.

SISTO, F. F. Um estudo sobre a dimensionalidade do teste do desenho da figura humana. Interação em Psicologia, v. 9, p. 11 19, 2005.

SOUZA, A. C. de; ALEXANDRE, N. M. C.; GUIRARDELLO, E. de B. Propriedades psicométricas na avaliação de instrumentos: avaliação da confiabilidade e da validade. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, v. 26, n. 3, p. 649-659, 2017.

STREINER, D. L. Being inconsistent about consistency: when coefficient alpha does and doesn’t matter. Journal of Personality Assessment, v. 80, p. 217-222, 2003.

TERWEE, C. B.; BOT, S. D.; BOER, M. R. de et al. Quality criteria were proposed for measurement properties of health status questionnaires. J Clin Epidemiol., v. 60, n. 1, p. 34-42, jan. 2007.

VERDÚ-SORIANO, J.; TORRES, H. G. de la. Aplicación del análisis Rasch en la investigación enfermera. Enfermería Clínica, 35, 2024.

WRIGHT, B.; MASTERS, G N. Análise de escala de classificação. MESA Press, 1982.

WRIGHT, B.; STONE, M. Item banking. In: WRIGHT, B.; STONE, M. Measurement Essentials. 2. ed. Wilmington: Wide Range, 1999. p. 107-117.

XAVIER, A. P. Laboratório Virtual Versus Laboratório Material: A Aprendizagem de Física com Intervenções Tradicionais e Investigativas. Tese (Doutorado em Ensino, Filosofia e História das Ciências) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2018.

XAVIER, A. P.; AMANTES, A. Validação de roteiro estruturado para sua utilização como instrumento de intervenção no laboratório didático de física. Brazilian Journal of Development, v, 7, n. 9, p. 91917-91927, 2021.




DOI: http://dx.doi.org/10.18542/amazrecm.v22i48.19532

Direitos autorais 2026 Autoras

Creative Commons License