A MINHOCA AGREDIDA E A ROSA DESPEDAÇADA: A NATURALIZAÇÃO DO ABUSO E DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NOS DISCURSOS DAS CANÇÕES INFANTIS
Resumo
Na Teoria do Discurso de matriz pecheutiana, não são defendidas teorias inatistas. A linguagem não é questão de hereditariedade: é algo a ser aprendido. A linguagem não é só lógica ou biológica e, por isso, não se podem ignorar as problemáticas patológicas, históricas e culturais que ela apresenta. Entretanto, somos sujeitos da/na linguagem, atravessados pelo inconsciente. Sendo assim, neste trabalho buscamos analisar alguns discursos que, na sua fragmentação, circulam nas cantigas infantis, reorganizando as práticas sociais desde tenra idade. Cantigas que ecoam, ressoam na história, impondo maneiras de comportamento nas crianças, segmentando binariamente o masculino e o feminino. Uma memória social que estrutura, reestabelece e também representa a realidade e seu campo de forças das relações sociais para mudança ou sua conservação. A minhoca, a rosa, o minhoco e o cravo discursivizando sentidos de práticas sociais.
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PDFReferências
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ISSN: 1806-0560 e-ISSN: 1982-5374
DOI: https://dx.doi.org/10.18542




























