A CULPA É TUA! O DISPOSITIVO DA FEMINILIDADE OPERANDO CONDUTAS DE JOVENS ALUNAS CONTEMPORÂNEAS
Resumo
Decorrente de uma investigação maior, o presente estudo está articulado a partir dos aportes teóricos-metodológicos dos Estudos Culturais, Estudos de Gênero em vertente pós-estruturalista e dos Estudos Foucaultianos. O objetivo está em analisar e problematizar as falas de jovens de 13 a 16 anos, alunas do 8° ano de uma escola pública, localizada em uma região de periferia urbana sobre as situações de assédio e importunação que as mesmas vivenciam. Como estratégia metodológica, valemo-nos dos grupos de discussão com vinte e cinco alunas, estudantes de duas turmas, que narraram situações de controle dos seus corpos dentro e fora do ambiente escolar. Acionamos o conceito de dispositivo da feminilidade para pensar como instituições, a exemplo da escola e ainda, discursos históricos, culpabilizam as mulheres pelas violências que sofrem. Por conseguinte, acabam por operar na condução das condutas dessas estudantes, regulando seus modos de ser e de viver.
Texto completo:
PDFReferências
BUTLER, J. Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade. 2. ed. Tradução de R. Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.
CALLEJO, Javier. El Grupo de Discusión: introducción a una práctica de investigación. Barcelona: Ed. Ariel, 2001.
CAPRICHO. Polêmica fashion: blusa cropped. Você usaria? Capricho, São Paulo, 18 dez. 2015. Moda. Disponível em: https://capricho.abril.com.br/moda/polemica-fashion-blusa-cropped-voce-usaria/ . Acesso em: 18 set. 2021.
CASTRO, E. Vocabulário de Foucault: um percurso pelos seus temas, conceitos e autores. Tradução de I. M. Xavier. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.
CATRACA LIVRE. Damares diz que menina de 10 anos estuprada deveria ter feito cesárea. Catraca Livre, São Paulo, 18 set. 2020. Cidadania. Disponível em: https://catracalivre.com.br/cidadania/damares-diz-que-menina-de-10-anos-estuprada-deveria-ter-feito-cesarea/ . Acesso em: 19 set. 2021.
DAYRELL, J. O rap e o funk na socialização da juventude. Educação e Pesquisa, Jun. 2002, vol.28, no. 1, p.117-136.
DAYRELL, J. O jovem como sujeito social. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 24, p. 40-52, 2003.
DAYRELL, J. A escola “faz” as juventudes? reflexões em torno da socialização juvenil. Educação e Sociedade, Campinas, vol. 28, n. 100 - Especial, p. 1105-1128, out. 2007.
DAYRELL, J.; CARVALHO, L.; GEBER, S. Os jovens educadores em um contexto de educação integral. In: MOLL, J. Caminhos da educação integral no Brasil – direito a outros tempos e espaços educativos. Porto Alegre: Penso, 2012. p. 157-171.
DENZIN, N. K.; LINCOLN, Y. S. O planejamento da pesquisa qualitativa: teoria e
abordagens. Tradução de Sandra Regina Netz. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
FISCHER, R.M.. Problematizações sobre o exercício de ver: mídia e pesquisa em Educação. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro (RJ), v. 20, p. 83-94. 2002.
FEIXA, C.; FERNÁNDEZ-PLANELLS, A.; FIGUERAS-MAZ, M. Generación Hashtag. Los movimientos juveniles en la era de la web social. Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales, Niñez y Juventud, Manizales, v. 14, n. 1, p. 107-120, jan./jun. 2016.
FOUCAULT, M. História da sexualidade: a vontade de saber. Volume 1. 18. ed. São Paulo: Graal, 2007.
FOUCAULT, M. História da sexualidade: o uso dos prazeres. Volume 2. 13. ed. São Paulo: Graal, 2009.
FOUCAULT, M. Ditos e Escritos: Ética, Sexualidade e Política. Volume 5. Tradução de E. Monteiro e I. Barbosa. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010.
FOUCAULT, M. A Arqueologia do saber. 8. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2012.
GARBIN, E. M. Conectados por um fio: alguns apontamentos sobre internet, culturas juvenis contemporâneas e escola. In: BRASIL. Ministério da Educação. Juventude e escolarização: os sentidos do Ensino Médio. Brasília: TV Escola, 2009. p. 30-40.
LOURO, G. L. Currículo, gênero e sexualidade: o “normal”, o “diferente” e o “excêntrico”. In: LOURO, G. L.; NECKEL, J.; GOELLNER, S. V. (Org.). Corpo, gênero e sexualidade: um debate contemporâneo na educação. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 41-52.
LOURO, G. L. Pedagogias da Sexualidade. 3. ed. In: LOURO, G. L. (Org). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2010. p. 7-34.
MARGULIS, M.; URRESTI, M. La juventud es más que una palavra. In: MARGULIS, M. (Org.). La juventud es más que una palabra. Buenos Aires: Biblos, 1996. p. 13-30.
MEINERZ, C. B. Grupos de Discussão: uma opção metodológica na pesquisa em educação. Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 36, n. 2, p. 485-504, 2011.
MEYER, D. E. E. Gênero e educação: teoria e política. In: LOURO, G. L.; NECKEL, J.; GOELLNER, S. V. (Org.). Corpo, gênero e sexualidade: um debate contemporâneo na educação. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 9- 27.
MEYER, D. E. E.; PARAÍSO, M. Metodologias de pesquisa pós-críticas ou Sobre como fazemos nossas investigações. In: MEYER, D. E. E.; PARAÍSO, M. (Org.). Metodologias de pesquisa pós-críticas em educação. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2012. p. 15-22.
PRIORE, M. História das mulheres no Brasil. 9. ed. São Paulo: Contexto, 2009.
SARLO, B. Cenas da vida pós-moderna: intelectuais, arte e vídeo-cultura na Argentina. Rio de Janeiro: Editora UFRGS, 2004.
SCOTT, A. S. O caleidoscópio dos arranjos familiares. In: PINSKY, C. B.; PEDRO, J. M. (Org). Nova história das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2012. p. 15-42.
VARGAS, J. R. de. O que ouço me produz e me conduz? A constituição de feminilidades contemporâneas de jovens contemporâneas no espaço escolar da periferia. 2015. 182 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2015.
VEYNE, P. Foucault: seu pensamento, sua pessoa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.
WEEKS, J. O Corpo e a Sexualidade. In: LOURO, G. L. (Org.). O Corpo Educado: pedagogias da sexualidade. Tradução de T. T. da Silva. 3. ed. Autêntica: Belo Horizonte, 2010. p. 35-82.
WELLER, W. Grupos de discussão: aportes teóricos e metodológicos. In: WELLER, W.; PFAFF, N. Metodologias da pesquisa qualitativa em educação: teoria e prática. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2013. p. 54-66.
DOI: http://dx.doi.org/10.18542/rmi.v16i26.11148
Direitos autorais 2022 Juliana Ribeiro De Vargas, Diéssica Rodrigues

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.
Indexado por:
Licença International Creative Commons Atribuição Não Commercial 4.0
Universidade Federal do Pará - Campus de Abaetetuba - EditorAbaete
Programa de Pós-Graduação em Cidades, Territórios e Identidades (PPGCITI)
ISSN: 1806-0560 e-ISSN: 1982-5374
DOI: https://dx.doi.org/10.18542




























