IMAGENS DA SECA NO CINEMA E A ELABORAÇÃO DE UMA MEMÓRIA DE VIOLÊNCIA
Resumo
A seca no sertão nordestino é uma calamidade histórica. As mortes em decorrência da seca na região apenas nos séculos XIX e XX ultrapassam os 4 milhões de pessoas. A ineficiência do Estado em lidar com esses desastres, o abandono das vítimas e o silenciamento em torno da memória dessa violência favorece o apagamento do trauma histórico. Para Seligmann-Silva (2008), as narrativas artísticas são campo fecundo para reelaborar a memória de violência, e é na expressão do imaginário que o intraduzível do trauma alcança certa traduzibilidade. Este trabalho objetiva analisar a construção imagético-discursiva do sujeito castigado pela seca e o sertão como cenário de uma calamidade histórica e política no cinema. Para tanto faremos uma análise comparada da construção da imagem de Fabiano e Severino; protagonistas de Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos (1963) e Morte e Vida Severina, de Zelito Viana (1977).
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PDFReferências
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Programa de Pós-Graduação em Cidades, Territórios e Identidades (PPGCITI)
ISSN: 1806-0560 e-ISSN: 1982-5374
DOI: https://dx.doi.org/10.18542




























