CINEMA E REPRESSÃO: A VONTADE DE VERDADE DE JAFAR PANAHI
Resumo
O artigo analisa o filme In film nist (2011), do cineasta iraniano Jafar Panahi, como forma de resistência ao silenciamento imposto pelo governo do Irã à sua produção artística, pois, em 2009, o cineasta desagradou as autoridades do seu país ao apoiar Mir Hussein Mussavi, o candidato oposicionista na eleição presidencial. Dessa forma, Panahi foi condenado a 6 anos de prisão domiciliar e proibido de filmar por 20 anos, contudo, o cineasta chamou o amigo cinegrafista Mojtaba Mirtahmasb para registrar a sua rotina em um dia dentro do seu próprio apartamento e produziu um filme questionador. O cinema iraniano contemporâneo inaugurou uma nova modalidade de realismo, cujos cineastas constroem “ficções documentais”, em que os roteiros são inspirados em histórias reais. O realismo restituitivo do cinema iraniano procura restituir à complexa realidade uma plenitude que só o cinema seria capaz de alcançar, utilizando, para isso, a retomada de episódios acontecidos no mundo histórico e social. Deve-se considerar que a produção de discursos, em qualquer sociedade, é controlada com o desígnio de conjurar-lhe os poderes e os perigos, enfraquecendo a eficácia de eventos incontroláveis, no intuito de ocultar as forças que materializam a constituição social. Para que a “vontade de verdade” seja exercida satisfatoriamente, são utilizados, portanto, procedimentos externos e internos ao discurso. Enquanto os procedimentos externos ao discurso limitam a produção de discursos, interditando a palavra, e definindo o que pode ser dito/não-dito em cada circunstância, através do “tabu do objeto” e do direito privilegiado ou exclusivo de quem fala; os procedimentos internos ao discurso possuem a função de classificar, ordenar e ditar sua distribuição.
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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/rmi.v16i27.11884
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ISSN: 1806-0560 e-ISSN: 1982-5374
DOI: https://dx.doi.org/10.18542




























