MARGUERITE DURAS E O TESTEMUNHO DO IMPOSSÍVEL EM HIROSHIMA MON AMOUR
Resumo
Um casal de amantes se conhece em Hiroshima, em agosto de 1957. Ele, japonês. Ela, uma atriz francesa, na cidade para gravação de um filme sobre a paz. Deitados na cama de um hotel, ela conta tudo o que viu em Hiroshima, os museus, as imagens, os sobreviventes, os rastros. Ao que ele responde, taxativo: Tu n'as rien vu à Hiroshima. Assim, inicia Hiroshima Mon Amour, texto de Marguerite Duras, escrito como roteiro para o filme homônimo de Alain Resnais, no qual ela cria um diálogo entre esses dois personagens, marcados de diferentes formas pelos horrores da guerra. Sua escrita revela a impossibilidade de se falar de catástrofes como a de Hiroshima – e tudo o que se pode fazer é falar dessa impossibilidade. Duras põe em relevo o caráter intestemunhável da tragédia enquanto, ao longo da narrativa, sua personagem tenta elaborar os próprios traumas de guerra, provocada pelo interesse do amante japonês. Nosso objetivo, portanto, é analisar como o texto de Duras constrói um testemunho do impossível, estirando os limites da literatura, e do cinema, para além de uma tentativa de representação. Para tanto, dialogamos com pensadores como Jacques Derrida e Márcio Seligmann-Silva, cujas teorias sobre testemunho e literatura, ou mesmo literatura de testemunho, ajudam a aprofundar essa reflexão.
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PDFReferências
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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/rmi.v16i27.13445
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Programa de Pós-Graduação em Cidades, Territórios e Identidades (PPGCITI)
ISSN: 1806-0560 e-ISSN: 1982-5374
DOI: https://dx.doi.org/10.18542




























