Margens: Revista Interdisciplinar

PERCEPÇÕES DE ATORES ESTRATÉGICOS SOBRE GOVERNANÇA CLIMÁTICA E PROTEÇÃO DA BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: EVIDÊNCIAS DA COP30.

Fernanda Machado Figueiredo, Norma Ely Santos Beltrao, Enilde Santos de Aguiar

Resumo

Este artigo tem como tema a governança climática e a proteção da biodiversidade na Amazônia. O problema de pesquisa investiga como as percepções de atores estratégicos revelam tensões entre compromissos internacionais e capacidades domésticas de implementação. O objetivo é analisar essas percepções sobre o engajamento do Brasil na agenda climática global, por meio de survey de corte transversal aplicado presencialmente na Zona Verde da COP30, em Belém (PA), em novembro de 2025, com 89 respondentes dos setores público, privado, acadêmico e da sociedade civil. O arcabouço teórico articula governança policêntrica (Ostrom), institucionalismo neoliberal (Keohane) e soft power (Nye). Os resultados indicam avaliação predominante de avanço parcial do Brasil no cumprimento do Acordo de Paris, com obstáculos político-institucionais, pressões econômicas sobre recursos naturais, conflitos fundiários e falhas de articulação intergovernamental, como principais barreiras. O Brasil é percebido como ator participativo, mas com influência limitada nas negociações internacionais, refletindo incoerência entre discurso externo e desempenho doméstico. A análise bivariada indica que a área de atuação institucional condiciona moderadamente essas avaliações (V de Cramér = 0,328). Conclui-se que a efetividade da governança climática na Amazônia depende da capacidade estatal de coordenar arranjos policêntricos e superar entraves estruturais domésticos.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/rmi.v20i34.20584

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