RESISTÊNCIA, CONTRACULTURA E SOBREVIVÊNCIA: ARTISTAS BRASILEIROS EXILADOS EM LONDRES NOS ANOS 1970
Resumo
O artigo discute aspectos relacionados ao exílio durante a ditadura civil-militar brasileira dos anos 1960 e 1970, a partir da análise de testemunhos, cartas e contos de artistas e escritores como Antonio Bivar (Verdes vales do fim do mundo, 1984); Caetano Veloso (Verdade tropical, 1997); e Caio Fernando Abreu (Estranhos estrangeiros, 1996; Cartas, 2002; e Ovelhas negras, 2009, dentre outros), a respeito de suas experiências como exilados em Londres. Com o apoio de diversos textos teóricos e críticos, tais como MACIEL (1987); VIÑAR (1992); ROLLEMBERG (1999); PIZARRO (2006); SZNAJDER, RONIGER (2009); RIDENTI (2014); GASPARI (2014), e buscando inter-relacionar história, psicanálise, política e literatura memorialística, a intenção é demonstrar de que maneira a condição do autoexílio ou exílio forçado levou os artistas brasileiros a vivenciarem intensos processos de despersonalização, crises de identidade e depressão, que interferiram em suas vidas pessoais e carreiras artísticas.
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PDFReferências
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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/rmi.v16i27.10699
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DOI: https://dx.doi.org/10.18542




























