SEXO X GÊNERO: APONTAMENTOS SOBRE A (RE) PRODUÇÃO DA NATUREZA
Resumo
Este trabalho faz uma análise arqueológica e genealógica da noção de gênero, partindo de seu surgimento como categoria analítica nas ciências humanas, derivada de trabalhos na área da biomedicina que o preconizavam como a versão cultural do sexo, até o presente, onde perspectivas pós-estruturalistas, decoloniais e queer, buscam desontologizar o termo, demonstrando como o binarismo natureza x cultura é reinscrito sob a lógica sexo x gênero, sendo epistemologicamente insustentável e eticamente condenável. Para tal, faz-se uma revisão bibliográfica dos enunciados do sistema sexo-gênero de Gayle Rubin e suas variações em Joan Scott, bem como nas teorias biomédicas, sobretudo de John Money, contrastando-as com propostas de desontologizar este sistema, encontradas em autores/as como Paul B. Preciado, Judith Butler e Donna Haraway. Por fim, defende um novo paradigma para pensar as tensões entre sexo e gênero, no qual a natureza é pensada como um tecnoproduto cultural.
Texto completo:
PDFReferências
ANZALDÚA, Gloria. La conciencia de la Mestiza: Towards a new consciousness. In: BHAVNANI, Kum-kum. (Org.) Feminism and ‘Race’. Nova Iorque: Oxford, 2001.
BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo: A experiência vivida. São Paulo: Difusão europeia do livro, 1967.
BUTLER, Judith. Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
CORTEZ; Marina; GAUDENZI, Paula; MAKSUD, Ivia. Gênero: Percursos e diálogos entre os estudos feministas e biomédicos nas décadas de 1950 a 1970. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 29, n. 1, pp. 1-21, 2019. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/physis/a/p4dXbydkK3jShSKdxxpgpCm/?format=pdf〈=pt >. Acesso em: 10. Jun. 2019.
DELEUZE, Gilles. Conversações. Rio de Janeiro: Editora 34, 2000.
FOUCAULT, Michel. Os anormais. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
______. Em defesa da sociedade: Curso no Collège de France (1975-1976), São Paulo: Martins Fontes, 2005.
______. A história da sexualidade I: A vontade de saber. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1988
______. Vigiar e Punir: Nascimento da Biopolítica. Petrópolis: Vozes, 1987.
GARFINKEL, Harold. Studies in Ethnomethodology. Englewood Cliffs: Prentice-Hall Inc., 1967, pp. 116-165.
GUATTARI, Felix. Revolução Molecular: Pulsações políticas do desejo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1981.
HALL, John Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
______. The West and the rest: discourse and power. In: HALL et al. (orgs.) Modernity: Introduction to the modern societies. Oxford: Blackwell, 1996. pp. 185- 227.
HARAWAY, Donna. Gênero para um dicionário marxista. Cadernos Pagu. v. 22, pp. 201-246, 2004.
______. Simians, Cyborgs and Women: The Reinvention of Nature. Nova Iorque: Routledge, 1991.
HEILBORN, Maria Luiza e SORJ, Bila. Estudos de gênero no Brasil. In: MICELI, Sérgio (org.) O que ler na ciência social brasileira (1970-1995). São Paulo: Editora Sumaré, 1999, pp. 183-221.
LAQUEUR, Thomas. Inventando o sexo: Corpo e gênero dos gregos a Freud. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001.
LÉVI-STRAUSS, Claude. As estruturas elementares do parentesco. Petrópolis: Vozes, 1982.
PISCITELLI, Adriana. “Recriando a (categoria) mulher? ” In: ALGRANTI, Leila (Org.). A prática feminista e o conceito de gênero. Campinas: IFCH-Unicamp, 2002.
PRECIADO, Paul Beatriz. Biopolítica del género: La invención del género, o el tecnocordero que devora a los lobos. Buenos Aires: Universidad de Buenos Aires, 2016. Disponível em: Acesso em 20 ago. 2019.
______. Manifesto Contrassexual. São Paulo: n-1 edições, 2014.
______. Testo Junkie. São Paulo: n-1 edições, 2018.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidad del poder y clasificación social. Journal of Worldsystems Research. Special Issue: Festchrift for Immanuel Wallerstein. pp. 342- 386, 2000.
RUBIN, Gayle. O tráfico de mulheres: Notas sobre a economia política do sexo. Recife: SOS Corpo, 1993.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. São Paulo: Cortez, 2008.
SCOTT, Joan. Gênero: Categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade. v. 20, n. 2, pp. 71-99, 1995.
SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.
DOI: http://dx.doi.org/10.18542/rmi.v17i29.11001
Direitos autorais 2024 Patrick de Almeida Trindade Braga

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.
Indexado por:
Licença International Creative Commons Atribuição Não Commercial 4.0
Universidade Federal do Pará - Campus de Abaetetuba - EditorAbaete
Programa de Pós-Graduação em Cidades, Territórios e Identidades (PPGCITI)
ISSN: 1806-0560 e-ISSN: 1982-5374
DOI: https://dx.doi.org/10.18542




























