Margens: Revista Interdisciplinar

TRAJETÓRIAS EDUCACIONAIS PÓS-ESTRUTURALISTAS: NEGRITUDE E TRANS-MASCULINIDADE NAS ESCOLAS

Apolo Vincent Silva de OLIVEIRA

Resumo

Este artigo surge através do método biográfico aplicado sobre dados coletados em pesquisa de campo realizada com dois sujeitos negros, de identidade de gênero masculina. Aqui estarão reunidos aspectos educacionais que se entrelaçam a noções de raça e de gênero. Para analisar-se os papéis assumidos pela linguagem, na ação de construção dessas subjetividades em contato com dispositivos ideológicos educacionais. As performances profissionais de educadores são analisadas como agentes produtores de percepções de si e de mundo para sujeitos cujas trajetórias escolares são marcadas por repressões. A violência aparece como epifenômeno da própria violência internalizada por discentes violentados. Uma das principais inferências de violência constatada, se dá por meio de interpelações que interferentes na formação da vida psíquica de sujeitos atravessados por raça e gênero. As bases nacionais estruturantes de políticas públicas eugênicas também aparecem como precursoras de distorções idade-série e baixa estima educacional de trans negros nas escolas.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/rmi.v17i29.11043

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