O TEOR TESTEMUNHAL NA PEÇA TEATRAL “O ABAJUR LILÁS” DE PLÍNIO MARCOS
Resumo
A peça teatral de Plínio Marcos “O abajur lilás” (1969) traz para a cena duas questões: a primeira, a subjugação da mulher representada nas personagens pela relação de poder junto às torturas psicológicas e físicas; a segunda, o contexto histórico da década de 1960 em que a peça foi escrita, com denúncias das atrocidades e o abuso de poder dos militares contra suas vítimas. Neste texto, analisaremos como o teor testemunhal vem representado nesse roteiro teatral. O dramaturgo ao escrever sua peça com elementos do testemunho, elabora o enunciado do outro, este outro é o oprimido, e por este ser tão normal a muitos é que este marginalizado se torna inspirador (DE MARCO,2004). Afinal, não se pode pensar no oprimido apenas pela ótica de sua individualidade cultural, mas também pelo campo de suas experiências dos traumas vivenciados pelos regimes autoritários. (PACHECO, 2015). O testemunho acontece pela contemplação de um evento testemunhado, após este evento a testemunha reestrutura sua reflexão diante do fato e as probabilidades de representar. O testemunho nasce ainda pela compaixão e o medo a partir do horror marcado pela qual o oprimido viveu (SELLIGMANN-SILVA, 2000). Observa-se que diante da violência vivida, as personagens da peça “O abajur lilás” tentam resistir a repressão, e essa, se apresenta com teor de denúncia ao silenciamento das (os) oprimidas (os).
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PDFReferências
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DOI: http://dx.doi.org/10.18542/rmi.v16i27.13505
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Programa de Pós-Graduação em Cidades, Territórios e Identidades (PPGCITI)
ISSN: 1806-0560 e-ISSN: 1982-5374
DOI: https://dx.doi.org/10.18542




























